Embarques somaram 2,3 mil toneladas no mês, impulsionados principalmente pelo mercado chileno; receita, porém, caiu 15% na comparação anual

Por Jornal Campo Aberto
As exportações brasileiras de ovos ganharam força em agosto, com embarques de 2,322 mil toneladas, alta de 9,1% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram exportadas 2,129 mil toneladas. Os dados, que consideram produtos in natura e processados, foram divulgados nesta quinta-feira (10) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Apesar do aumento no volume, o desempenho em receita foi negativo. As vendas internacionais movimentaram US$ 4,868 milhões em agosto, queda de 15% ante os US$ 5,729 milhões registrados um ano antes.
O resultado evidencia uma diferença importante entre volume embarcado e valor obtido pelas exportações. Mesmo com mais ovos enviados ao exterior, a receita média gerada pelas operações ficou abaixo da registrada em agosto de 2025.
Chile amplia participação
O principal destaque entre os destinos foi o Chile, que recebeu 1,213 mil toneladas de ovos brasileiros em agosto. O volume representa uma expansão de 605,1% sobre as 172 toneladas embarcadas para o país no mesmo mês do ano passado.
Na sequência aparecem Vietnã, com 275 toneladas; Serra Leoa, com 160 toneladas; México, com 144 toneladas, queda de 52,6%; e Japão, com 140 toneladas, retração de 75,8%.
O desempenho chileno ajudou a sustentar o crescimento das exportações em agosto e reforça a importância da diversificação dos mercados compradores para o setor brasileiro.
Acumulado ainda está abaixo de 2025
O resultado mensal positivo, no entanto, não altera o quadro observado no acumulado do ano.
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 19,982 mil toneladas de ovos, queda de 38,1% em relação às 32,303 mil toneladas registradas no mesmo período de 2025.
A retração também aparece na receita. Nos oito primeiros meses de 2026, as exportações movimentaram US$ 43,903 milhões, valor 41,7% inferior aos US$ 75,295 milhões obtidos no mesmo intervalo do ano passado.
Segundo a ABPA, a comparação anual precisa considerar que 2025 foi marcado por uma conjuntura internacional fora do padrão, especialmente em razão da demanda observada no mercado dos Estados Unidos.
“O resultado de agosto mostra uma recuperação dos embarques de ovos brasileiros em diferentes mercados”, afirma o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Na avaliação do executivo, o avanço das vendas para o Chile e a abertura de novos destinos indicam espaço para ampliar a diversificação das exportações brasileiras.
Ao mesmo tempo, Santin pondera que o desempenho acumulado continua abaixo do registrado em 2025, ano considerado excepcional para as vendas externas do produto.
Recuperação mensal ainda não muda o cenário anual
Os números de agosto mostram, portanto, dois movimentos distintos. De um lado, o setor conseguiu aumentar o volume exportado na comparação mensal, apoiado principalmente pelo forte crescimento das vendas ao Chile. De outro, o desempenho acumulado permanece significativamente abaixo do ano anterior, tanto em volume quanto em receita.
Para o mercado brasileiro de ovos, a evolução dos próximos meses será importante para determinar se o avanço de agosto representa uma recuperação mais consistente das exportações ou apenas uma melhora pontual dentro de uma base anual ainda bastante elevada.
Fonte: ABPA


