Durante a cobertura do Congresso AvAg, em Goianápolis (GO), o diretor da agência, Cláudio Ianelli, destacou a importância do diálogo com empresas, pilotos e mecânicos para ampliar a segurança e acompanhar a evolução tecnológica do setor
A aviação agrícola brasileira atravessa um período de transformação marcado pela incorporação acelerada de novas tecnologias e pela ampliação do uso de drones nas operações rurais. Nesse cenário, a aproximação entre o setor regulado e os órgãos responsáveis pela fiscalização e regulamentação ganha importância estratégica.
Essa foi uma das principais mensagens deixadas pelo diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Cláudio Ianelli, durante entrevista concedida ao Jornal Campo Aberto na cobertura do Congresso AvAg, realizado em Goianápolis (GO), em uma iniciativa promovida pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (SINDAG) e pelo Instituto Brasileiro de Aviação Agrícola (IBRAVAG).
Considerado um dos principais encontros mundiais dedicados à aviação agrícola, o Congresso também marcou as celebrações pelos 80 anos da aviação agrícola, reunindo empresas, pilotos, mecânicos, fabricantes, especialistas e representantes de diferentes instituições ligadas ao setor.
Para Ianelli, a participação da ANAC no evento representa uma oportunidade para estreitar relações com quem está diretamente envolvido nas operações.
“A ideia é sempre continuar ampliando essa comunicação com empresas, regulados, pilotos e mecânicos.”
ANAC mais próxima de quem está no campo
Segundo o diretor, a presença da agência em eventos do setor permite esclarecer dúvidas diretamente com os profissionais e, em alguns casos, buscar soluções para demandas que chegam durante o próprio congresso.
Ianelli relatou que diferentes áreas da ANAC foram procuradas no estande da agência ao longo do evento, desde pilotos com dúvidas relacionadas à habilitação até profissionais envolvidos em processos de credenciamento e empresas em questões relacionadas à certificação.
Na avaliação do diretor, esse contato presencial é especialmente importante na aviação agrícola, justamente porque grande parte dos profissionais trabalha distante dos grandes centros urbanos.
“O piloto da aviação agrícola, o mecânico, fica sempre afastado dos grandes centros porque o trabalho dele é no campo. Uma oportunidade como essa permite que ele venha se atualizar e também aproveite para tirar dúvidas junto à agência”, explicou.
A aproximação também faz parte de uma estratégia mais ampla da atual direção da ANAC, segundo Ianelli. A intenção, afirmou, é reduzir a distância entre o órgão regulador e os profissionais que atuam no setor.
“Um dos grandes objetivos é ter uma proximidade maior com o regulado.”
Para ele, essa relação pode contribuir inclusive para melhorar o cumprimento das regras, ao permitir que a agência compreenda melhor a realidade enfrentada pelos operadores.
Segurança operacional continua no centro das decisões
A aproximação, entretanto, não significa flexibilização dos requisitos de segurança. Ianelli reforçou que a segurança operacional permanece como prioridade da ANAC.
O diretor explicou que a comunicação mais próxima pode ajudar a identificar pequenos problemas antes que eles evoluam para situações capazes de comprometer a segurança das operações.
“Quando o regulado tem um pequeno problema e não pergunta, o problema persiste. E aí ele pode chegar a afetar a segurança operacional”, afirmou.
Segundo Ianelli, quando uma situação passa a representar risco à segurança, a agência precisa adotar medidas mais rigorosas. A razão, explicou, está diretamente relacionada à responsabilidade de preservar vidas.
“A gente trata com vidas. Seja a vida do piloto, seja a vida de quem está embaixo.”
A declaração reforça um princípio fundamental da aviação: tecnologia, produtividade e eficiência precisam avançar acompanhadas de procedimentos capazes de manter os riscos dentro de níveis aceitáveis.
Aviões e drones: uma operação cada vez mais integrada
Outro tema de destaque na entrevista foi o crescimento dos drones na agricultura e a necessidade de integração entre as aeronaves remotamente pilotadas e a aviação agrícola convencional.
Para Ianelli, o avanço tecnológico não deve ser encarado como uma substituição simples de uma ferramenta pela outra, mas como uma possibilidade de atuação complementar.
O diretor destacou que os drones já apresentam avanços significativos em autonomia, capacidade operacional e automação e podem atuar em situações específicas, como áreas de difícil acesso, bordaduras e operações pontuais.
“É uma ferramenta complementar”, afirmou.
A tendência, segundo ele, é que aviões agrícolas e drones trabalhem cada vez mais de forma coordenada, ampliando a produtividade e a eficiência das operações.
Para que isso aconteça com segurança, entretanto, a comunicação entre os diferentes operadores será fundamental.
“É muito importante que se criem regras para todo mundo trabalhar dentro do envelope, com a máxima segurança para todos”, ressaltou Ianelli.
Regulamentação acompanha avanço tecnológico
A rápida evolução dos equipamentos também aumenta a necessidade de atualização permanente dos profissionais.
Pilotos, mecânicos, operadores e empresas precisam acompanhar não apenas as mudanças tecnológicas, mas também as regras e procedimentos que envolvem a utilização dessas ferramentas.
Durante a entrevista, Ianelli destacou a importância da qualificação continuada e da comunicação entre os diferentes agentes envolvidos na operação.
Nesse processo, a regulamentação tem papel fundamental para estabelecer parâmetros claros e permitir que diferentes tecnologias possam coexistir de maneira segura.
O diretor também mencionou iniciativas de diálogo técnico envolvendo a ANAC e representantes do setor, com o objetivo de contribuir para que a integração entre aeronaves tripuladas e drones avance de forma segura e produtiva.
Combate à operação clandestina
Outro ponto abordado na entrevista foi o combate às operações clandestinas, especialmente diante do crescimento do mercado de drones utilizados na agricultura.
Ianelli fez um alerta para empresas e contratantes que optam por serviços realizados fora da regulamentação.
Segundo ele, além dos riscos relacionados à segurança, uma operação irregular pode trazer consequências ambientais, fiscais e jurídicas para quem presta o serviço e também para quem o contrata.
“O operador clandestino acaba ofuscando a operação de quem está regular, que está fazendo tudo dentro do envelope. Isso prejudica todo o setor”, afirmou.
A orientação da ANAC é que situações suspeitas sejam comunicadas à agência por meio dos canais oficiais de atendimento.
Informação também é ferramenta de segurança
Durante a entrevista ao Jornal Campo Aberto, Ianelli reforçou que a participação do próprio setor é importante para que a fiscalização possa atuar de maneira mais eficiente.
O diretor recomendou que denúncias apresentem o maior número possível de informações que possam auxiliar na identificação da operação irregular.
“Quanto maior o detalhe apresentado na denúncia, mais conseguimos atuar de maneira proativa”, explicou.
A orientação faz parte de uma visão de fiscalização baseada também na colaboração entre regulador e setor regulado. Para Ianelli, quanto maior a proximidade e a qualidade das informações compartilhadas, maiores são as possibilidades de prevenir problemas e preservar a segurança operacional.
Um setor em transformação
A entrevista realizada pelo Jornal Campo Aberto durante o Congresso AvAg mostrou que o momento vivido pela aviação agrícola vai muito além da incorporação de novas aeronaves e tecnologias.
O setor está diante de uma transformação que envolve qualificação profissional, regulamentação, comunicação, segurança operacional e integração entre diferentes ferramentas.
Ao mesmo tempo em que aviões agrícolas continuam desempenhando papel fundamental no campo, os drones ampliam seu espaço e passam a atuar de maneira complementar em diferentes operações.
Nesse cenário, a aproximação entre empresas, profissionais e órgãos reguladores pode ser um dos caminhos para que a inovação avance sem abrir mão da segurança.
E foi justamente esse ambiente de diálogo que marcou a participação da ANAC no Congresso AvAg, evento que, além de reunir as principais referências da aviação agrícola, também proporcionou um espaço para aproximar quem estabelece as regras de quem vive diariamente a realidade das operações no campo.
JORNAL CAMPO ABERTO | COBERTURA ESPECIAL CONGRESSO AVAG


