As vendas de tratores nos Estados Unidos recuaram pelo quarto mês consecutivo em janeiro de 2026, enquanto as vendas de colheitadeiras apresentaram forte recuperação tanto no mercado norte-americano quanto no Canadá.
Dados divulgados pela Association of Equipment Manufacturers (AEM) apontam que as vendas totais de tratores agrícolas caíram 4,7% nos Estados Unidos em relação a janeiro de 2025. Em contrapartida, as vendas de colheitadeiras cresceram expressivos 68% no mesmo período.
No Canadá, o movimento foi ainda mais intenso. As vendas de tratores avançaram 8,8%, enquanto as colheitadeiras registraram alta de 447,6% na comparação anual.
Segundo Curt Blades, vice-presidente sênior da AEM, o desempenho das colheitadeiras traz um sinal positivo após meses de números desafiadores. Por outro lado, a continuidade da retração nas vendas de tratores reflete o momento da economia agrícola, além da necessidade de maior previsibilidade nos mercados globais e na política de biocombustíveis.
Desempenho nos Estados Unidos
Em janeiro de 2026, foram vendidos 8.771 tratores agrícolas nos EUA, frente a 9.200 unidades no mesmo mês de 2025. O estoque inicial do mês era de 88.899 unidades.
Vendas por faixa de potência:
- Tratores 2WD abaixo de 40 hp: queda de 6,6%, com 5.011 unidades vendidas (ante 5.367 em 2025). Estoque inicial: 59.127 unidades.
- Tratores 2WD entre 40 e 100 hp: alta de 8,8%, com 2.861 unidades vendidas (ante 2.629). Estoque: 23.389.
- Tratores 2WD acima de 100 hp: queda de 25,9%, com 817 unidades vendidas (ante 1.103). Estoque: 5.966.
- Tratores 4WD: retração de 18,8%, com 82 unidades vendidas (ante 101). Estoque: 417.

Colheitadeiras (autopropelidas)
Foram comercializadas 163 unidades em janeiro, frente a 97 no mesmo mês de 2025, representando alta de 68%. O estoque inicial era de 755 unidades.
Mercado canadense
No Canadá, as vendas totais de tratores agrícolas somaram 1.424 unidades em janeiro de 2026, avanço de 8,8% sobre as 1.309 unidades de janeiro de 2025. O estoque inicial era de 11.998 unidades.
Por categoria:
- 2WD abaixo de 40 hp: 866 unidades (+8%)
- 2WD 40–100 hp: 313 unidades (+9,8%)
- 2WD acima de 100 hp: 167 unidades (+2,5%)
- 4WD: 78 unidades (+32,2%)
As vendas de colheitadeiras autopropelidas somaram 115 unidades, contra apenas 21 em janeiro de 2025 — crescimento de 447,6%. O estoque inicial era de 442 unidades.
O que esses números indicam para o Brasil?
Os dados do mercado norte-americano de máquinas agrícolas funcionam como um termômetro importante para o Brasil, já que os dois países concentram grande parte do consumo global de tecnologia no campo e compartilham fabricantes multinacionais.
A queda nas vendas de tratores nos Estados Unidos, especialmente nos modelos acima de 100 cavalos de potência e nos 4WD, sinaliza um produtor mais cauteloso. Esse comportamento costuma estar ligado a margens mais apertadas, custos elevados de produção, crédito mais seletivo e incertezas em relação às políticas agrícolas e aos mercados globais.
Para o Brasil, o movimento acende um alerta. Caso o cenário de retração se prolongue na América do Norte, é possível que fabricantes globais redirecionem estratégias comerciais para mercados considerados estratégicos, como o brasileiro. Isso pode significar maior competitividade, campanhas comerciais mais agressivas e ajustes nas condições de financiamento.
Por outro lado, o avanço expressivo nas vendas de colheitadeiras pode indicar uma retomada pontual do ciclo de renovação de frota, possivelmente após meses de postergação de investimentos. Se essa tendência se consolidar nos próximos trimestres, poderá sinalizar que o produtor voltou a investir em equipamentos diretamente ligados à colheita, etapa crítica para garantir produtividade e reduzir perdas.
No contexto brasileiro, o produtor rural também enfrenta juros elevados, oscilações nos preços da soja e do milho e maior pressão sobre custos. Diante disso, a tendência é de decisões mais estratégicas: renovação seletiva da frota, foco em eficiência operacional e maior atenção ao retorno sobre o investimento.
Em síntese, os números norte-americanos reforçam um cenário de cautela global, mas também indicam que o ciclo de investimentos pode não estar encerrado — apenas mais seletivo e condicionado à previsibilidade econômica.
Nota da Redação: Este texto foi elaborado pela Redação do Jornal Campo Aberto com base em dados oficiais divulgados pela Association of Equipment Manufacturers (AEM), entidade responsável pela consolidação mensal das estatísticas de vendas de máquinas agrícolas nos Estados Unidos e no Canadá. As informações foram publicadas originalmente pela imprensa especializada do setor, incluindo o veículo Successful Farming, e refletem os números referentes ao desempenho de janeiro de 2026.
Redação do Jornal Campo Aberto



