Medida busca aliviar impacto econômico sobre produtores de soja, sorgo e carne, enquanto governo tenta reabrir o comércio com a China.
O governo do ex-presidente Donald Trump estuda lançar um novo pacote de ajuda de até US$ 12 bilhões para produtores rurais impactados pelas tarifas impostas durante a guerra comercial com a China. Segundo fontes próximas à Casa Branca, o plano deve ser anunciado assim que o impasse do fechamento do governo norte-americano for resolvido.
A medida se somaria à trégua recente firmada entre Washington e Pequim, que reacendeu as esperanças de retomada nas exportações de soja, sorgo e carne — setores que sofreram forte retração nos últimos anos.
Durante entrevista à imprensa, o senador John Hoeven (Partido Republicano, Dakota do Norte) confirmou que o novo Programa de Facilitação de Mercado está “pronto para ser lançado” e comparou o plano ao pacote emergencial de US$ 28 bilhões aprovado no primeiro mandato de Trump. “O único obstáculo, neste momento, é o fechamento do governo”, afirmou.
Apesar do otimismo, especialistas alertam que os agricultores ainda enfrentam custos recordes com insumos, inflação persistente e incertezas comerciais que devem pesar na safra do próximo ano.
O vice-secretário do Departamento de Agricultura (USDA), Stephen Vaden, destacou que o auxílio só poderá ser efetivado após o fim da paralisação do governo. “Sem orçamento aprovado, não há recursos — nem para os programas sociais, nem para o campo”, explicou, em entrevista ao programa AgriTalk.
O novo pacote é visto como parte da estratégia republicana de manter o apoio político do cinturão agrícola, especialmente em estados produtores de grãos e proteína animal.
Para o pesquisador Bart Fischer, da Texas A&M University, mesmo com o recente acordo comercial entre EUA e China, os produtores ainda precisam de apoio federal. “O pacto ajuda a reduzir a incerteza no comércio, mas não resolve o problema dos custos elevados e dos efeitos da inflação”, analisou.
Enquanto isso, o Departamento de Agricultura norte-americano movimentou US$ 13 bilhões de fundos de apoio regulares para um novo programa emergencial de compensação tarifária. Porém, os recursos seguem parados, aguardando aprovação política e operacional.
O impasse reacende um debate antigo sobre o papel do Estado no agronegócio americano: como equilibrar o livre mercado com a proteção à renda agrícola em um cenário global cada vez mais competitivo.
Tradução e adaptação: Redação Jornal Campo Aberto



