Equipamentos desenvolvidos pela Zanoni Equipamentos ampliam eficiência operacional e chegam a mercados da América do Norte, África e Europa

A tecnologia desenvolvida no Brasil para a aviação agrícola tem ganhado cada vez mais espaço no mercado internacional. O tema foi destaque em entrevista concedida por Lucas Zanoni – Gerente de pesquisa e desenvolvimento e negócios internácionais da Zanoni Equipamentos ao Hora da Prosa, do Jornal Campo Aberto.
Durante a conversa, Zanoni explicou como a empresa nasceu a partir da realidade operacional da aviação agrícola brasileira e como essa experiência prática ajudou a desenvolver soluções que hoje equipam aeronaves em diversos países.
Origem ligada à operação aeroagrícola
A história da empresa começou nos anos 1980, em Campo Grande (MS), dentro da rotina de uma operação de aviação agrícola.
O fundador Sérgio Zanoni trabalhou como mecânico em uma empresa que chegou a operar cerca de 25 aeronaves agrícolas — um número considerado expressivo para a época.
A convivência diária com pilotos, mecânicos e operadores permitiu identificar necessidades importantes do setor.
Segundo Lucas Zanoni, foi desse ambiente operacional que surgiu a ideia de desenvolver equipamentos pensados especificamente para a realidade brasileira.
“Naquela época, grande parte dos implementos utilizados nos aviões agrícolas era importada. Havia uma necessidade clara de desenvolver soluções adaptadas às condições do Brasil”, explicou.
Equipamentos pensados para o campo brasileiro
As características da agricultura brasileira exigiram equipamentos mais robustos e confiáveis.
Muitas operações acontecem em regiões remotas, longe de centros urbanos e de estruturas de manutenção. Por isso, a durabilidade dos equipamentos tornou-se um fator decisivo.
“Muitas vezes o avião sai de uma base e passa toda a safra trabalhando em regiões distantes. O equipamento precisa funcionar com total confiabilidade durante esse período”, afirmou.
A partir dessas demandas, a empresa passou a desenvolver tecnologias voltadas à resistência, eficiência operacional e facilidade de manutenção.
Expansão internacional
A presença internacional da empresa começou inicialmente em países do Mercosul e na África do Sul, regiões com características agrícolas semelhantes às do Brasil.
Com o tempo, os equipamentos brasileiros também passaram a ganhar espaço na América do Norte.
Segundo Zanoni, um dos momentos marcantes desse processo ocorreu quando empresas norte-americanas reconheceram a qualidade de componentes desenvolvidos no Brasil.
“Foi quando percebemos que o Brasil também tem capacidade de competir em tecnologia agrícola no cenário internacional”, destacou.
Hoje, equipamentos da empresa estão presentes em diversos países da América Latina, América do Norte, Europa e África.



Novas frentes de inovação
Além dos tradicionais sistemas de pulverização, a empresa passou a investir em novas áreas tecnológicas dentro da aviação agrícola.
Entre os segmentos que ganharam destaque estão:
- sistemas de preparo de calda
- atomizadores rotativos
- equipamentos para combate aéreo a incêndios
No caso do combate a incêndios, Zanoni destaca que a aeronave agrícola possui características operacionais importantes.
“O avião agrícola consegue operar próximo ao foco do incêndio, reabastecer rapidamente e retornar à operação com muita agilidade”, explicou.
Pesquisa inédita sobre combate a incêndios
Um dos projetos recentes envolve um estudo realizado em São José do Rio Preto (SP), que avalia a eficiência da aplicação de água por aeronaves agrícolas no combate a incêndios. A pesquisa é desenvolvida em parceria com a Imagem Aviação Agrícola, empresa especializada em operações aeroagrícolas.
O trabalho utiliza milhares de coletores instalados no solo para medir com precisão a distribuição da água liberada pelas aeronaves durante as operações. O objetivo é gerar dados técnicos que permitam compreender melhor o comportamento da aplicação aérea em cenários de combate ao fogo.
Segundo Lucas Zanoni, esse tipo de avaliação nunca havia sido realizado na América Latina com aeronaves agrícolas. A expectativa é que os resultados do estudo contribuam para ampliar o conhecimento científico sobre o uso da aviação agrícola em operações de combate a incêndios, além de ajudar no desenvolvimento de novas tecnologias e protocolos operacionais.


Tecnologia também aplicada fora da agricultura
Outro exemplo citado na entrevista é o uso de atomizadores rotativos desenvolvidos no Brasil para programas de controle de mosquitos em diferentes países.
A tecnologia passou a ser utilizada em diversas regiões dos Estados Unidos e em outras partes do mundo para aplicações voltadas à saúde pública.
Certificação amplia possibilidades
A empresa também conquistou recentemente certificação da autoridade aeronáutica brasileira, o que permite ampliar o desenvolvimento de novas tecnologias voltadas às aeronaves agrícolas.
Com essa certificação, abre-se espaço para soluções que vão além dos sistemas tradicionais de pulverização.
“Isso nos permite desenvolver novas tecnologias embarcadas e contribuir ainda mais para a evolução da aviação agrícola”, explicou Zanoni.
Perspectivas para o setor
Apesar dos desafios enfrentados atualmente pelo agronegócio, a avaliação é de que o setor aeroagrícola brasileiro continuará crescendo.
O Brasil possui hoje a segunda maior frota de aeronaves agrícolas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e segue ampliando sua importância no cenário internacional.
Para Zanoni, o potencial de expansão ainda é significativo.
“A agricultura brasileira tem espaço para continuar crescendo, e a aviação agrícola é uma ferramenta essencial nesse processo”, afirmou.
Confiança no futuro
Ao final da entrevista, Zanoni destacou que a empresa seguirá investindo em inovação e no desenvolvimento de novas tecnologias.
Segundo ele, a estratégia continua baseada em ouvir o setor e desenvolver soluções que atendam às necessidades reais das operações.
“Nosso compromisso é continuar contribuindo para tornar a aviação agrícola cada vez mais eficiente, segura e competitiva”, concluiu.

Crédito imagens: Arquivo pessoal Zanoni e Castor Becker Júnior
Por Claudio Correia
Fonte: Hora da Prosa, do Jornal Campo Aberto


