Tecnologia em silos garante agilidade, reduz perdas e pode aumentar a produtividade em até 30%
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima um novo recorde na safra de grãos no Brasil, chegando a 360,1 milhões de toneladas. Se confirmado, o volume será 2,2% maior do que no ciclo passado. Embora o país avance em produtividade e consolide safras recordes, ainda enfrenta perdas significativas e déficit de capacidade estática.
O armazenamento de grãos permanece como um dos principais gargalos estruturais do agronegócio brasileiro. O portal Armazéns do Brasil, disponibilizado no site da Conab, indica que neste ano a capacidade estática no país chega a 228 mil toneladas.
O déficit histórico de armazenagem no Brasil é um desafio conhecido, e a solução para lidar com o grande volume de grãos não passa apenas pela construção de novos espaços, conta também com tecnologias de monitoramento avançado nos silos.
Com a automação, os silos acionam os motores apenas quando necessário, o que gera economia de energia e otimiza a mão de obra. Já nos secadores, o controle preciso assegura o processamento dos grãos na temperatura correta, mitigando desperdícios e riscos de contaminação cruzada. Esses sistemas tecnológicos aceleram significativamente as etapas de recepção, secagem e armazenamento, preservando a qualidade original do produto vindo do campo.
No Paraná, a Capal Cooperativa Agroindustrial, por exemplo, investe em automação aplicada em vários processos. “No que diz respeito à automação geral das plantas, estamos em constante evolução. Porém, o nosso grande diferencial são os secadores de grãos. Neles, possuímos automação completa para o fluxo contínuo. O fluxo de carga e descarga, além do controle de temperatura e de umidade dos grãos, são todos controlados de forma automática pela lógica do programa, garantindo um padrão rigoroso de secagem sem depender exclusivamente de ajustes manuais contínuos”, explica Carlos Faria, coordenador de Operações de Grãos da cooperativa.
Paulo Carneiro Junqueira, diretor industrial da Cooperativa Comigo, com sede em Goiás, comenta que durante a última colheita, que sofreu com o excesso de chuvas, a cooperativa chegou a movimentar 2 milhões de sacas de soja em um único dia, um feito que, segundo ele, seria quase impossível sem o controle tecnológico. “A automação agiliza a operação, te dá uma segurança maior para você trabalhar de forma mais ágil. Ao receber mais rápido, seca mais rápido, guarda mais rápido, conserva mais rápido e mantém a qualidade. A automação também ajuda a controlar a conservação, termometria e aeração. Hoje todas essas etapas são controladas automaticamente na Comigo”, afirma Junqueira.
Relatos internos da cooperativa demonstram que a automação gerou um aumento de cerca de 30% na produtividade. O diretor industrial argumenta que o grande diferencial hoje está na automação de elevadores, máquinas de limpeza, secadores e sistemas de transporte, cuja modernização permite que os gestores trabalhem no limite da eficiência.
“Um elevador tem capacidade para 300 toneladas por hora. A automação permite que ele opere próximo a esse máximo com segurança. O operador visualiza em uma tela se o equipamento está em 80% ou 85% de sua capacidade, tendo margem para evitar que a máquina ‘embuche’ – o que pode gerar até cinco horas de paralisação e desperdício de produto”, exemplifica.
Para Carlos Faria, obter os dados da automação à disposição garante mais segurança aos operadores. “Tenho a certeza de que, ao proporcionarmos a melhor condição, com dados e automação, para os nossos operadores gerenciarem o turno, as perdas são reduzidas drasticamente. A automação empodera o operador, e essa é a forma mais eficiente de atingir excelência qualitativa e quantitativa”.
Futuro robótico
De acordo com os especialistas, a entrada consolidada da Inteligência Artificial (IA) para acelerar a análise de dados e a tomada de decisão em tempo real em todos os processos da armazenagem é uma questão de tempo.
“Visualizo um monitoramento contínuo em todas as etapas, com todos os pontos críticos cobertos e seguros. O objetivo da IA é assegurar que tudo ocorra como precisa. A grande revolução será termos os nossos operadores atuando como verdadeiros gestores de tecnologia, com a segurança e a precisão de que a carga chegará ao seu destino com total qualidade e volume intacto”, opina Faria, da Capal.
O diretor da Comigo prevê que o objetivo do setor nos próximos anos é a robotização total, com sistemas que tomem decisões autônomas sobre o aumento ou redução de carga em função da secagem, sem depender sequer da interpretação do operador. No entanto, para Junqueira, a tecnologia ainda esbarra no alto custo. “Os determinadores de umidade precisos, por exemplo, atualmente ultrapassam os R$ 100 mil por unidade. Para cooperativas que possuem mais de 100 secadores, o investimento ainda é considerado inviável”, afirma.
O tema “Automação de unidades de grãos: exemplo de unidade armazenadora automatizada” será amplamente discutido por Paulo Carneiro Junqueira na IX Conferência Brasileira de Pós-Colheita (IX CBP 2026), promovido pela Associação Brasileira de Pós-Colheita (ABRAPOS) e realizado pelas cooperativas Capal, Frísia e Castrolanda. O evento acontece no município de Carambeí entre os dias 12 e 14 de agosto. Para conferir a programação completa, acesse cbp2026.abrapos.org.br.
Fonte: Assessoria


