No coração agrícola de Ohio, produtores de milho e soja se deparam com um cenário complexo em 2025: preços no menor patamar dos últimos três anos, previsão de safra recorde e custos de insumos ainda em níveis elevados. A combinação desses fatores cria um desafio de matemática quase impossível para manter a rentabilidade no campo.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta uma colheita de 15,71 bilhões de bushels de milho — um crescimento de 5,6% sobre 2024 e um recorde histórico. Caso essa previsão se confirme, especialistas acreditam que o preço possa cair ainda mais, chegando a US$ 3 por bushel. A soja também enfrenta pressão: mesmo com previsão de leve recuo na produção para 4,34 bilhões de bushels, o volume ainda figura entre os maiores da história, e há analistas que não descartam uma queda para US$ 8 por bushel.
Fred Yoder, agricultor com propriedades nas regiões de Madison e Union, no centro de Ohio, descreve a situação como “margens muito apertadas”. Ele lamenta não ter travado preços mais altos no início do ano, quando as projeções para entrega no outono eram melhores. Com capacidade limitada de armazenagem, Yoder adotou estratégias para cortar custos: adiou a compra de novos equipamentos, investiu em manutenção do maquinário existente e reduziu ao mínimo os gastos que poderiam comprometer o desempenho da lavoura.
Craig Downing, produtor no noroeste do estado, aposta em segurar a produção até 2026, se necessário. Ele explica que, em sua região, o basis — diferença entre o preço local e o valor futuro — está positivo graças à demanda de usinas de etanol próximas, o que oferece melhores condições de negociação. Downing utiliza contratos de basis, que permitem entregar o grão e receber parte do pagamento de imediato, mantendo a possibilidade de aproveitar eventuais altas no mercado.
Kevin Miller, agricultor em West Unity, próximo às fronteiras com Michigan e Indiana, afirma que normalmente já teria vendido 60% a 70% da safra nesta época, mas em 2025 conseguiu negociar apenas um quarto de sua produção. O clima chuvoso no início do plantio atrasou a semeadura e comprometeu parte das lavouras, e agora ele aposta em armazenar até 70% da produção, buscando melhores oportunidades de venda. Para reduzir custos em 2026, Miller já planeja substituir fertilizantes sintéticos por cama de frango, mais barata e com potencial de aumento de produtividade.
Em comum, todos relatam um sentimento de incerteza. O mercado global enfrenta volatilidade causada por fatores políticos, tarifas comerciais e mudanças climáticas. Para Yoder, que já viveu diversas crises ao longo da carreira, “a única coisa previsível neste momento é a imprevisibilidade”.
Enquanto isso, os agricultores de Ohio tentam equilibrar prudência e otimismo, ajustando estratégias para atravessar um dos anos mais desafiadores da última década no setor de grãos.
Redação Jornal Campo Aberto com informações FarmProgress



