Máquinas desenvolvidas pela Universidade Estadual de Michigan buscam oferecer alternativa sustentável e acessível para agricultores familiares.
Pesquisadores da Michigan State University, nos Estados Unidos, apresentaram recentemente a pequenos produtores um novo trator elétrico desenvolvido ao longo de mais de dois anos. O equipamento, criado pelo professor de engenharia agrícola Ajit Srivastava, foi pensado como uma opção de baixo custo para agricultores familiares em todo o mundo.
Segundo a Associated Press (AP), apesar de o mercado ainda estar engatinhando, pesquisadores e empreendedores norte-americanos acreditam que os tratores elétricos podem ser uma solução “ideal para pequenos agricultores que valorizam a sustentabilidade e desejam comercializar seus produtos com esse diferencial”.
Srivastava explicou que agricultores de pequena escala produzem cerca de um terço dos alimentos do planeta, muitos deles trabalhando apenas com ferramentas manuais. Sua inspiração inicial foi simples: reproduzir, com peças acessíveis, a força de um par de bois — algo que qualquer produtor pudesse montar.
O protótipo, no entanto, ainda está em fase de aprimoramento. A demonstração, prevista originalmente para a primavera, precisou ser adiada por causa da chuva, já que o trator ainda não é à prova d’água. Além disso, ele ainda não possui potência suficiente para tarefas mais pesadas, como o preparo do solo.
Srivastava estima que o modelo final possa custar cerca de US$ 30 mil, valor bem abaixo do praticado por tratores a diesel equivalentes. Participantes do evento, porém, levantaram preocupações sobre o posicionamento da bateria — instalada na parte inferior e capaz de reduzir a altura livre do equipamento — e sobre o custo final.
Entre os elogios, produtores destacaram que o trator, de cabine aberta, seria ideal para operações específicas, como o controle de plantas daninhas em áreas de hortaliças ou o manejo em pomares com fileiras estreitas.
Mas especialistas ressaltam que a tecnologia não substitui o padrão atual: os tratores elétricos atendem nichos e ainda não competem com a autonomia e a força dos motores a diesel que dominam as grandes lavouras de grãos dos EUA. A falta de carregadores rápidos e de infraestrutura solar também limita sua adoção.
Representantes da indústria confirmam que a eletrificação avança, mas em ritmos diferentes. A John Deere, por exemplo, desenvolveu apenas um protótipo elétrico utilitário. “Não será nossa principal linha de atuação, mas uma das opções”, disse Derek Muller, gerente de sistemas elétricos da companhia.
A demanda, por enquanto, aparece com mais força na Europa e em centros de pesquisa internacionais. Empresas como a Bonsai Robotics já comercializam robôs elétricos modulares para tarefas normalmente feitas por tratores, e defendem que a eletrificação abre caminho para a automação total — máquinas autônomas, operações mais precisas, menos mão de obra e custos menores.
Sem emissões de diesel e com manutenção simplificada, os tratores elétricos também podem operar dentro de estufas, ampliando seu potencial de uso.
Foto: Michigan State University AgBioResearch
Jornal Campo Aberto — Tradução e Adaptação da Redação, com informações da Farmer’s Weekly e AP



