Projeto bilionário busca reduzir dependência do Brasil por importações de fertilizantes e reforçar a liderança mundial na produção de grãos
O avanço acelerado das áreas agrícolas no Brasil nos últimos anos garantiu ao país o título de maior produtor de soja do mundo, mas também expôs uma fragilidade estratégica: a forte dependência de fertilizantes importados, especialmente do potássio — insumo essencial para a produtividade das lavouras.
Para mudar esse cenário, a Brazil Potash, empresa canadense sediada em Toronto, está desenvolvendo o Projeto Autazes, avaliado em US$ 2,5 bilhões, na região amazônica. O empreendimento prevê a construção de duas minas subterrâneas de minério de potássio, uma planta de processamento e um porto fluvial, com início das obras estimado para 2026 e conclusão até o fim de 2030.
De acordo com o CEO da companhia, Matt Simpson, o projeto tem potencial para transformar o Brasil em fornecedor interno e regional de potássio, reduzindo a vulnerabilidade do país diante de choques externos. Atualmente, mais de 95% do potássio consumido no Brasil é importado, principalmente de Canadá, Rússia e Belarus — países que dominam o mercado global do insumo.
A produção inicial deve atingir 2,5 milhões de toneladas anuais na década de 2030, com possibilidade de expansão para até 10 milhões de toneladas nos anos seguintes.
Além de garantir maior autonomia ao agronegócio brasileiro, o projeto também diversifica a oferta mundial de fertilizantes, hoje concentrada em poucos países. Para o CEO, essa é uma questão de segurança alimentar global: “O Brasil é vital para o abastecimento de alimentos no mundo. Depender de potássio importado é um risco estratégico que pode comprometer exportações e preços, caso guerras comerciais voltem a afetar o mercado”, afirmou Simpson.
O plano avança em meio a crescentes tensões comerciais entre os Estados Unidos e seus parceiros, com novas tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. Essas medidas têm provocado choques na economia do país e acelerado uma reorientação das relações comerciais do Brasil com a China, principal destino das exportações agrícolas nacionais.
Fonte: FarmProgress



