Responsável por 80% do rebanho bovino brasileiro, segundo pesquisa da Revista Exame, a raça Nelore é a grande estrela da 62ª Expo Rio Preto. Cerca de 960 animais, entre Nelore, Nelore Mocho e Nelore Pintado, ocupam o recinto de exposições Alberto Bertelli Lucatto, onde permanecem até o próximo domingo (5), em atividades que incluem julgamentos, leilões, venda direta e o chamado “shopping do Nelore”.
De acordo com o criador João Vitor Candido Almeida, cada variação do Nelore apresenta características próprias, perceptíveis já nas diferenças físicas. Ele explica que, durante os julgamentos, são observados aspectos como padrão racial, desempenho reprodutivo, conformação do corpo e qualidade genética. “O Nelore padrão é o branco, ele precisa ter uma linha de dorso mais completa, equilíbrio na carcaça, o cupim precisa ser bem implantado, a fêmea precisa ser bem delicada feminina”, comoeltou.
Tradição e mercado aquecido
Vindos de diferentes estados, criadores trouxeram exemplares de alto padrão para a feira. A equipe de Lucas, de Araraquara, lotou as baias com 30 animais de raças variadas, incluindo Tabapuã. Já o criador Lucas Lima, de Minas Gerais, trouxe 20 cabeças de Nelore para negociações. Ele destaca a preferência do mercado pela carne dessa raça. “O Nelore tradicional é mais procurado para corte, porque a carne é mais macia e apresenta ótima adaptação ao clima brasileiro”, afirmou.
A resistência ao calor, à umidade, a parasitas e doenças também fazem do Nelore a raça de corte mais valorizada no país. Dados do IBGE reforçam a força desse setor: em 2024, o Brasil registrou o abate de 39 milhões de cabeças de gado, um recorde histórico e crescimento de 15,2% em relação ao ano anterior.
Vitrine de negócios
Entre as atrações mais aguardadas da programação está o “shopping do Nelore”, espaço onde os animais ficam expostos como vitrine para compradores. Nesse modelo, é possível observar de perto os exemplares, avaliar suas qualidades e negociar diretamente com os criadores.
A Expo Rio Preto segue até o dia 5 de outubro, aberta diariamente das 9h às 22h, com intensa movimentação de criadores, investidores e visitantes em busca de oportunidades de negócios e conhecimento sobre as principais raças do país.
Por Thaís Lobato, especial para o Jornal Campo Aberto



