Engana-se quem pensa que a Expo Rio Preto é apenas palco de leilões e exposições de animais. Em sua 62ª edição, o evento reforça que o agronegócio vai muito além da genética bovina e da qualidade dos plantios: ele também movimenta negócios na área de alimentos, artesanato e capacitação.
Um dos grandes responsáveis por essa dinâmica é o Espaço Origens, iniciativa que reúne 25 expositores com apoio da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
No local, o visitante encontra desde pães, queijos, mel e cachaças artesanais até peças de artesanato produzidas com matérias-primas do campo, valorizando a identidade regional.
Segundo Regilene Oliveira, coordenadora do Senar em Rio Preto, a feira foi organizada em duas etapas: até o dia 21, os estandes são ocupados por estudantes; já na segunda fase, quem assume o espaço são empresários rurais e artesãos consolidados.
” Os produtos são oriundos da agroindústria, então desde os alimentos até os artesanatos são produzidos com materiais exclusivamente retirados do campo” afirma.
E os resultados aparecem cedo. A artesã Denise Carraro relatou que, ainda nos três primeiros dias, conseguiu iniciar negociações para fornecimento de panos de prato e boleiras a uma empresa de Olímpia. “É a vitrine que faltava para mostrar o valor do trabalho feito com insumos locais”, disse.
Além da comercialização, a feira se tornou palco para a criatividade. A produtora de saboaria e perfumaria Monaliza Pereira destacou que o contato com novos clientes e parceiros amplia horizontes: “vocês não imaginam como é o dia a dia aqui, somos bombardiados de novas ideias, propostas, coisas que nos fazem chegar em casa e continuar pensando como colocaremos tudo em prática, um problema bom. Já teve até pessoas de outros países filmando meu trabalho”, contou.
Pelo menos 17 mil pessoas passaram pelo recinto nos dois primeiros dias. Apenas de cachaça artesanal, as vendas já superaram 10 litros.
Ao mesmo tempo, o espaço também serve para divulgar os 40 cursos gratuitos oferecidos pela entidade. Interessados podem se inscrever pelo WhatsApp (17) 99783-2481.
Formação no campo e experiência prática
Se no setor de alimentos a feira já impulsiona negócios, na área pecuária a Expo continua sendo uma verdadeira sala de aula a céu aberto.
Mais de 3 mil animais – entre bovinos, equinos e ovinos de diferentes portes – ocupam as pistas e baias do Recinto de Exposições Alberto Bertelli Lucatto.
Para garantir o bem-estar dos animais, uma força-tarefa composta por 400 estudantes de Medicina Veterinária, Agronomia e Zootecnia, das faculdades Unirp e Unilago, foi mobilizada.
Sob a supervisão de professores, os alunos participam ativamente do manejo e dos cuidados diários.
Há mais de 20 anos à frente desse acompanhamento, o médico veterinário e docente da Unirp João Meireles ressalta que o evento é essencial para o desenvolvimento dos alunos.
“Eu brinco que aqui é uma vitrine, além de ter contato com os animais, o que muitos não tem no dia a dia, os alunos também podem fazer contatos com fazendeiros e cuidadores d assim conseguir sair daqui empregados”, explicou.
O aprendizado aqui vai além da técnica, os estudantes convivem com criadores, peões e profissionais experientes, o que fortalece o conhecimento.
Para a estudante Gabriela Caldeira Barbosa, do último ano de Veterinária, o maior valor está na troca com quem vive a lida no campo: “Aprendemos muito ouvindo os peões, que conhecem o comportamento dos animais no detalhe, eles ensinam que não precisamos de força, ao contrário, isso pode machucar os animais que cuidamos, o negócio é o jeito”.
Na primeira etapa, são 200 alunos envolvidos – metade da Unirp e metade da Unilago –, com prioridade para os estudantes do terceiro ano no manejo de animais leiteiros.
Maria Eduarda Oliveira, também de Veterinária, detalha: “A rotina começa cedo, desde a chegada dos animais, passando pelo manejo, pesagem, conferimos se eles não tomarão nenhuma medicação antes da competição, damos banho, se necessário fazemos até exames de imagem como ultrassom até o fim das competições”.
A professora e médica veterinária da Unilago Alessandra Cortezzi lembra que o impacto vai além da formação acadêmica. “Quanto mais experiência o aluno tem em campo, mais qualidade ele leva para a produção agropecuária. Isso se reflete diretamente nos alimentos que chegam à mesa do consumidor.”
Na segunda fase da Expo, quando entram em cena os julgamentos e negociações de animais de corte, outros 200 estudantes do último ano terão a mesma oportunidade de vivência.
Crédito imagem: Thaís Lobato
Por Thaís Lobato, especial para o Jornal Campo Aberto



