O evento realizado apenas com animais de criadoras reuniu 800 cabeças de gado de 22 pecuaristas
A presença feminina no agronegócio deixou de ser exceção para se tornar cada vez mais regra. Na Intertech desta sexta-feira, realizada dentro da Expo Rio Preto, o protagonismo das mulheres no campo foi tema central de debates que uniram inovação, sustentabilidade e estratégias para fortalecer o setor. Mas o exemplo mais prático desse avanço pôde ser visto no leilão exclusivo com animais de criadoras, realizado durante a semana.
Segundo a Casa de Leilões Tanabi, o evento reuniu 800 cabeças de gado de 22 pecuaristas e movimentou cerca de R$ 1,8 milhão. O resultado reforça o peso das mulheres na pecuária regional e nacional, setor em que ainda predominam figuras masculinas.
Para Carina Ayres, secretária de Agricultura de Rio Preto e referência no tema, a atuação feminina no agro já não pode ser tratada como novidade. “A cada ano, vemos a consolidação das mulheres em todas as frentes do campo, do manejo às decisões de gestão. Precisamos desmistificar a ideia que o campo não é para mulheres”, afirma.
O movimento também alcança outros espaços da Expo. Vindas de Uberaba, as fotógrafas Ana Luisa Cabral e Rayane Rezende percorrem o país registrando animais de elite, como o Nelore. Elas destacam que o posicionamento profissional tem sido determinante para a conquista de espaço e respeito.
“Todas as profissões tem seus desafios, mas somos muito respeitadas por onde passamos, acho que parte disso vem do nosso posicionamento firme e profissional, seja nas pistas onde todos nós veem ou nas baias”.
A transformação se reflete nas salas de aula. O professor universitário João Meiles lembra que, em 20 anos de carreira, testemunhou a presença feminina crescer significativamente nos cursos de agronomia, medicina veterinária e zootecnia.
“Eu brinco que as mulheres vão dominar o mundo e se for para fazer tudo com excelência que domine mesmo. No início dos anos 2.000 minha sala era 80% homens, hoje tenho 70% mulheres que dispensam a força bruta e cuida dos animais com estratégias e inteligência”.
A estudante Gabriela Caldeira é exemplo dessa nova geração. Para ela, a mudança de comportamento é visível: se antes muitas mulheres optavam por atuar apenas com animais domésticos, hoje buscam protagonismo em áreas mais amplas da pecuária.
Na Expo Rio Preto, essa participação é ainda mais visível. Além de auxiliares de julgamento, o evento conta pela primeira vez com uma juíza em competições de raças. E, para reforçar que o espaço feminino no campo não exclui a identidade pessoal, a feira também recebeu um desfile de moda country nesta sexta-feira, celebrando a força e a feminilidade das mulheres do agro.
Crédito imagem: Leandro Gasparetti
Por Thais Lobato, especial para o Jornal Campo Aberto



