Pequenas no tamanho, mas gigantes no impacto econômico, as lagartas seguem entre os principais desafios da agricultura brasileira. Em um cenário de transição entre a colheita da soja e o avanço do plantio da segunda safra, produtores que não adotarem estratégias de manejo antecipado podem enfrentar perdas expressivas, especialmente nas culturas de milho e algodão.
Dados consolidados da pesquisa agrícola indicam que, sob alta pressão de infestação e sem controle eficiente, a produtividade da soja pode cair cerca de 30%. No milho, o prejuízo é ainda maior: perdas podem alcançar até 40%, principalmente devido à ação da lagarta-do-cartucho, que compromete diretamente o ponto de crescimento da planta.
O alerta foi reforçado durante entrevista concedida pela doutora Lauany Cavalcanti ao quadro Hora da Prosa, do Jornal Campo Aberto. Segundo a especialista, o atual momento da safra exige atenção redobrada, já que muitas áreas ainda estão em fase de transição, com soja em final de ciclo e culturas da segunda safra em implantação.
“O grande risco está em não fazer o manejo ainda na soja. Se a lagarta não for controlada nesse momento, ela migra com facilidade para o milho e o algodão, elevando a pressão populacional e ampliando os prejuízos”, explica.
Clima favorece avanço das pragas
A safra 2025/26 ocorre sob influência do fenômeno La Niña, caracterizado por irregularidade nas chuvas, períodos de veranico e temperaturas elevadas. Esse conjunto de fatores cria condições ideais para o rápido desenvolvimento das lagartas, encurtando seu ciclo biológico e aumentando a infestação nas lavouras.
Com o atraso no plantio da soja em diversas regiões, consequência direta do clima, o calendário agrícola ficou mais apertado, exigindo maior eficiência operacional no campo. “O produtor está lidando, muitas vezes, com duas culturas ao mesmo tempo. Isso exige planejamento, monitoramento constante e decisões rápidas”, destaca a especialista.
Monitoramento e decisão no tempo certo
O monitoramento frequente da lavoura é apontado como o principal aliado do produtor. Danos causados por lagartas são visíveis: folhas raspadas ou com aspecto de esqueleto na soja e destruição do cartucho no milho, situação que pode levar à morte da planta.
De acordo com a doutora Lauany, em casos extremos e sem qualquer intervenção, as perdas podem chegar a 100% da área afetada. “A intensidade do dano depende da população da praga e do momento da intervenção. Quanto mais cedo o controle é iniciado, maior a chance de preservar o potencial produtivo”, afirma.
Manejo integrado ganha protagonismo
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é apontado como a estratégia mais eficiente para mitigar riscos. A combinação de diferentes métodos — biológicos, químicos e tecnológicos — permite reduzir a pressão das pragas e aumentar a sustentabilidade do sistema produtivo.
O avanço dos defensivos biológicos tem ampliado as opções disponíveis ao produtor. Atualmente, essas soluções já podem ser aplicadas por diferentes tecnologias, como pulverização terrestre, aérea, drones ou até equipamentos costais, adaptando-se à realidade operacional de cada propriedade.
Aplicação no horário certo faz diferença
O horário da aplicação também influencia o resultado do controle. No caso das lagartas, aplicações diurnas tendem a ser mais eficazes, já que o metabolismo do inseto é acelerado por temperaturas mais altas, aumentando sua movimentação e a exposição aos produtos de contato.
“Já para o controle de doenças, aplicações noturnas podem ser mais interessantes, especialmente para biológicos, que se beneficiam de maior umidade e temperaturas mais amenas”, explica.
Agricultura brasileira alia tecnologia e sustentabilidade
A diversidade climática e de biomas do Brasil, muitas vezes vista como desafio, também impulsiona a pesquisa e o desenvolvimento de novas soluções agrícolas. Projetos de prospecção de microrganismos nativos têm transformado essa diversidade em inovação, fortalecendo o portfólio de defensivos biológicos adaptados às diferentes realidades regionais.
Para o produtor, a mensagem é clara: manejo eficiente, olhar atento ao campo e apoio técnico especializado são fundamentais para proteger a lavoura e garantir produtividade em um cenário cada vez mais desafiador.
“O engenheiro agrônomo é o principal parceiro do produtor no campo. Diante de qualquer sinal de infestação, buscar orientação técnica o quanto antes pode ser a diferença entre uma boa safra e um prejuízo significativo”, reforça.
🔎 O que o produtor precisa observar no campo
1. Presença de lagartas nas folhas
Folhas raspadas, perfuradas ou com aspecto de “esqueleto” são sinais claros de infestação, principalmente na soja.
2. Ataque ao cartucho do milho
No milho, observe atentamente o cartucho. A destruição dessa região compromete o crescimento da planta e pode levar à perda total.
3. Nível de infestação
Identifique se a pressão é baixa, média ou alta. Populações elevadas exigem ação imediata para evitar perdas superiores a 30% na soja e 40% no milho.
4. Transição entre culturas
Áreas em que a soja não teve manejo adequado tendem a transferir a praga para o milho e o algodão da segunda safra.
5. Condições climáticas
Clima quente e úmido acelera o ciclo das lagartas. Períodos de veranico seguidos de calor favorecem o aumento populacional.
6. Momento correto de intervenção
Quanto mais cedo o controle é iniciado, maior a chance de preservar o potencial produtivo da lavoura.
7. Tecnologia de aplicação adequada
Escolha a tecnologia mais eficiente para a sua realidade — pulverização terrestre, aérea, drone ou costal — sempre com orientação técnica.
8. Apoio técnico especializado
Ao menor sinal de infestação, procure um engenheiro agrônomo. O manejo correto depende de diagnóstico preciso e decisão no tempo certo.
Por Claudio Correia
Hora da Prosa | Jornal Campo Aberto



