Foto: Reprodução/Magnific
A substância é proibida na avicultura desde 2004 e nunca foi detectada nos controles federais; crescimento acelerado da ave é resultado de décadas de seleção genética
O frango é a proteína mais consumida no Brasil e uma das mais baratas do prato. Mesmo assim, ainda carrega uma suspeita que nenhuma campanha conseguiu apagar. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostrou que 72% da população acredita no uso de hormônio na criação de frango. Porém, a ciência derruba o mito. O uso de hormônio é proibido por lei no Brasil há décadas.
A Instrução Normativa nº 17, de 2004, do Ministério da Agricultura e Pecuária, veta substâncias com efeito tireostático, androgênico, estrogênico ou gestagênico, além dos beta-agonistas, em qualquer etapa da produção avícola. O Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes coleta e analisa amostras de carne de forma contínua, e nos últimos anos nenhum resíduo de hormônio foi detectado nas aves brasileiras.
Mesmo se fosse liberado, o hormônio não funcionaria. As aves não respondem a ele como os mamíferos, e o ciclo de vida curto não daria tempo para qualquer efeito antes do abate. Aplicar a substância em milhões de aves, uma a uma, também seria caro e sem retorno.
Por que o frango cresce tão rápido?
A resposta está no melhoramento genético, uma das mais bem-sucedidas histórias da ciência aplicada à produção de alimentos. O estudo de referência mundial da Universidade de Alberta e publicado na revista Poultry Science, criou com a mesma dieta atual linhagens de frango de 1957, 1978 e 2005 e comparou os resultados.
O crescimento da ave aumentou mais de 400% no período, enquanto a conversão alimentar caiu cerca de 50%. Entre 85% e 90% desse ganho vem da seleção genética, e o restante da dieta.
No Brasil, a Embrapa desenvolveu linhagens próprias e mantém programas de melhoramento genético de aves, que se combinam com nutrição de precisão, à base de milho, soja, vitaminas e minerais, e com galpões de temperatura, ventilação e iluminação controladas.
O debate que realmente importa
Existe um tema legítimo e atual na produção de proteína animal, que é o uso de antibióticos. Desde 2016, o Brasil proíbe a colistina como promotora de crescimento, por ser um antibiótico crítico para a saúde humana, e já baniu como aditivos melhoradores de desempenho diversas outras classes de antimicrobianos. A motivação é o combate à resistência antimicrobiana, hoje uma das maiores preocupações sanitárias do mundo.
Segundo o portal especializado Food Connection, parte do frango temperado ou marinado recebe uma solução de salmoura, com água, sal, fosfatos, antioxidantes e conservantes, regulada pela Anvisa e declarada no rótulo.
A qualidade do frango nacional também passa por um teste externo. O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango, com 5,324 milhões de toneladas embarcadas em 2025, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal. Para chegar a mercados exigentes como Japão, Emirados Árabes e União Europeia, o produto precisa superar barreiras sanitárias rígidas.
Fonte: Assessoria


