Encontro em São José do Rio Preto, no espaço Intertech, fez parte da programação da Expô Rio Preto 2025 e reuniu produtores, sangradores, usinas e autoridades para debater organização e transparência na cadeia da borracha.
O setor da borracha natural no Brasil debateu nesta sexta-feira (19) desafios históricos e caminhos para maior organização durante a Reunião de Governança da Borracha Natural, realizada em São José do Rio Preto, como parte da programação da Expô Rio Preto 2025, no espaço Intertech Seringueiras. Produtores, sangradores, representantes de usinas e autoridades discutiram questões centrais da cadeia produtiva, entre elas a padronização do DRC (Dry Rubber Content) e a criação de índices de preço mais transparentes.

Na abertura, Karina Ares, produtora rural e secretária de Agricultura de São José do Rio Preto, ressaltou a importância histórica e cultural da seringueira para o estado de São Paulo. “A seringueira me ensinou humildade, amizade e a importância de plantar para as próximas gerações. Este evento celebra nossa trajetória e fortalece o setor no país”, afirmou, destacando ainda a ambientação do espaço Intertech, que remete à sensação de estar em um seringal, com teto verde e piso marrom, inspirando os participantes.

Em seguida, Antônio Carlos Gerim, presidente da Câmara Setorial Federal da Borracha Natural, traçou um panorama do mercado. Ele destacou que a atividade ainda enfrenta anomalias estruturais, como a ausência de padronização na negociação, falta de contratos claros entre produtores e usinas e defasagem significativa nos preços, que muitas vezes não cobrem o custo de produção.
“O mercado da borracha é caótico. Hoje, não há contrato uniforme e cada usina adota sua própria metodologia de cálculo do DRC, gerando incertezas. Isso impede que produtores acessem instrumentos financeiros e comerciais, como contratos futuros e travas de preço, disponíveis em outras cadeias”, explicou Gerim.
O executivo também detalhou iniciativas recentes da Câmara Setorial para reorganizar a cadeia, incluindo a criação de índices que refletem o preço da borracha importada, desenvolvidos em parceria com o IEA e a CNA, além de estudos para padronizar o cálculo do DRC em todo o estado de São Paulo, com apoio da Fundação de Pesquisa do Estado. Segundo Gerim, essas medidas buscam reduzir variabilidade, fortalecer o poder de negociação do produtor e permitir acesso a mercados futuros.
O encontro também abordou políticas públicas e estratégicas nacionais, como a importância da borracha como matéria-prima sensível, a necessidade de integração entre ministérios e entidades do setor e a criação de um comitê gestor federal, que permitirá decisões mais coordenadas sobre produção, comercialização e proteção ambiental e social.
Ao final, Gerim reforçou que o objetivo é tornar a cadeia mais moderna e transparente, com benefícios para produtores, usinas e indústria, e que este esforço depende de contratos claros, cooperativismo e regulamentação adequada, permitindo que a borracha natural brasileira se torne competitiva e sustentável a longo prazo.
Por Claudio Correia – Especial Expo Rio Preto 2025



