Surto já atingiu quase 9 milhões de aves desde setembro, mas preços ao consumidor seguem estáveis; pesquisadores alertam para rápida evolução do vírus
A gripe aviária voltou a se espalhar com força pelos Estados Unidos, atingindo tanto granjas comerciais quanto criações de fundo de quintal. Desde setembro, mais de 8,9 milhões de perus, frangos e patos foram infectados ou sacrificados, segundo dados compilados pelo site Civil Eats.
Apesar da dimensão do surto, especialistas afirmam que os consumidores não devem enfrentar aumento de preços neste fim de ano. Levantamento da Federação Americana de Agricultura mostra que o valor do peru congelado no varejo está 16% mais baixo do que em 2024 — mesmo com a alta de 40% no atacado. O motivo: supermercados usam o produto como chamariz durante o período de festas. A entidade reforça ainda que o consumo segue seguro, desde que o preparo seja adequado.
Pesquisadores, por outro lado, demonstram crescente preocupação com a rápida evolução do vírus H5N1, que desde 2022 tem apresentado mutações e avanços considerados “alarmantes”. Trata-se de uma cepa altamente patogênica, presente em aves silvestres desde o início dos anos 2000 e que vem provocando sucessivas ondas de contaminação.
Levantamento da APHIS, a agência sanitária do USDA, aponta que só nos últimos 30 dias foram registrados surtos em 90 propriedades, afetando mais de 1,6 milhão de aves. Desde o início da crise, em fevereiro de 2022, o total de animais infectados ultrapassa 184 milhões. O estado de Indiana concentra a maior parte dos casos recentes.
Mesmo com a pressão sobre a oferta, redes varejistas têm absorvido o impacto para evitar repasses ao consumidor. Além da gripe aviária, um segundo vírus — o metapneumovírus aviário — vem reduzindo a produção de ovos férteis, o que dificulta a recomposição dos plantéis. A projeção do USDA indica queda da produção de peru para 4,8 milhões de toneladas, abaixo das 5,1 milhões registradas em 2024.
A situação ganhou novo capítulo nesta semana, quando o Departamento de Saúde de Washington confirmou a primeira morte humana no mundo causada pela variante H5N5. A vítima era um morador do condado de Grays Harbor, com problemas de saúde preexistentes, e criava aves domésticas. As autoridades afirmam, porém, que o risco para a população em geral permanece baixo e nenhum outro contato testou positivo até agora.
Por Redação Campo Aberto — Com informações de Civil Eats, NBC News, Reuters e USDA



