No noroeste paulista, a cana-de-açúcar está presente em praticamente todas as propriedades rurais e tem papel decisivo na economia das cidades próximas às usinas. Por essa relevância, o tema foi o destaque do Intertech, realizado nesta terça-feira (30) dentro da programação da 62ª Expo Rio Preto.
O encontro reuniu especialistas, produtores e autoridades para debater tendências e caminhos para o setor. Além das novidades tecnológicas para o campo e para a indústria, o evento trouxe análises sobre o cenário da bioenergia e os entraves que já afetam a safra atual.
A secretária de Agricultura de Rio Preto, Carina Ayres, chamou atenção para a chegada da Muda Pré-Brotada (MPB), técnica considerada fundamental para elevar a qualidade da produção regional.
“Apresentamos a MPB e mostramos como a escolha correta da variedade, do local e da forma de plantio influencia diretamente na produtividade. Também falamos sobre as possibilidades de melhoramento genético, que se tornam uma ferramenta importante para aumentar o rendimento e a qualidade da cana cultivada aqui”, destacou Carina.
Safra 2025/26: menos chuva, menor moagem
Os especialistas também apontaram previsões preocupantes para o setor. A produção no Centro-Sul deve encolher cerca de 4,6% na moagem de cana em comparação com a safra passada. O principal motivo é a escassez de chuvas, fator que tem pesado no rendimento agrícola.
As projeções indicam que a produtividade por hectare cairá 4,1% em relação ao ciclo 2024/25 e ficará 14,9% abaixo da colheita de 2023/24.
De acordo com Marcos Landell, diretor do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), é hora de encontrar alternativas que possam minimizar os efeitos do clima.
“Precisamos trazer soluções que atendam tanto grandes grupos quanto pequenos e médios produtores. A estiagem já comprometeu resultados, mas, com inovação e práticas mais eficientes, há espaço para uma recuperação consistente. Nossa expectativa é de que, em alguns anos, a produção regional avance em até 20%. Hoje a moagem na região é de 80 toneladas e daqui 5 a 10 anos projetamos chegar em 100”. afirmou.
Manejo e solo em foco
Outro ponto tratado nas palestras foi o manejo adequado do solo. Técnicas de preparo adaptadas às características de cada município foram apresentadas como estratégias essenciais para garantir estabilidade na produção, mesmo em períodos de instabilidade climática.
O Intertech, assim, reforçou sua função de ser um espaço de atualização e troca de conhecimento, aproximando o setor produtivo de novas soluções e tendências. Para os produtores, o recado foi claro: mesmo diante de uma safra mais curta, a ciência e a tecnologia oferecem caminhos para recuperar a força da cana na região.
Por Thaís Lobato, especial para o Jornal Campo Aberto



