Proposta elimina iniciativas internacionais, reduz pesquisa e enfrenta barreiras no Congresso dos EUA
O jornalista Chris Clayton, do Progressive Farmer, informou que a proposta de orçamento do presidente Donald Trump para o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) volta a prever um corte de quase 20% em programas discricionários que não contam com apoio da administração.
Segundo Clayton, o orçamento divulgado na última sexta-feira prevê um total de US$ 1,5 trilhão para gastos com Defesa, ao mesmo tempo em que propõe reduzir cerca de US$ 660 bilhões em despesas não militares em todo o governo federal. Para o USDA, a proposta destina US$ 20,8 bilhões em autoridade orçamentária discricionária para o ano fiscal de 2027 — uma queda de US$ 4,9 bilhões, ou 19%, em relação a 2026.
O plano orçamentário, com 92 páginas, divulgado pela Casa Branca, enfatiza tanto o que a administração Trump rejeita quanto o que apoia. O termo “rural” aparece 12 vezes ao longo do documento, enquanto expressões como “woke” são mencionadas 34 vezes e “New Green Scam”, 21 vezes. Já “diversidade, equidade e inclusão (DEI)” aparecem 26 vezes, e “transgênero”, 16.
No resumo executivo do orçamento do USDA, a administração classifica o departamento como “uma burocracia inchada de Washington, D.C., com múltiplas camadas de gestão e diversos programas supérfluos, irrelevantes para uma política agrícola alinhada ao ‘America First’”. O texto afirma ainda que o orçamento elimina programas associados a “ideologias radicais transgênero e ao chamado Green New Scam”.
Apesar disso, a jornalista Grace Yarrow, do E&E News, destacou que o orçamento presidencial é apenas uma proposta. Segundo ela, parlamentares do Congresso já rejeitaram anteriormente cortes sugeridos por Trump ao USDA, optando por preservar o financiamento de programas com apoio bipartidário. No ano passado, o Congresso ignorou uma proposta de corte de US$ 7 bilhões e manteve o orçamento do departamento em nível semelhante ao ano anterior, dentro de um pacote aprovado em novembro para evitar a paralisação do governo.
Recursos para pesquisa agrícola e ajuda alimentar internacional entram na mira
De acordo com Skye Witley, da Bloomberg Government, a proposta orçamentária prevê o fim do programa Food for Peace, operado pelo USDA em nome da extinta Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), sob a justificativa de “desperdício de recursos dos contribuintes”. O governo também propõe encerrar o programa McGovern-Dole Food for Education, outra iniciativa federal de envio de alimentos ao exterior.
A proposta solicita ao Congresso o cancelamento de US$ 1,2 bilhão e US$ 240 milhões destinados, respectivamente, a esses programas.
Ainda segundo Witley, parlamentares chegaram a propor que o USDA se tornasse o operador permanente do Food for Peace em um projeto de lei agrícola que avançou na Câmara em 4 de março. Historicamente, o Congresso tem ignorado as tentativas do governo de encerrar esses programas, que contam com apoio de ambos os partidos por destinarem bilhões de dólares à compra de produtos agrícolas de produtores norte-americanos.
Reportagem do Agri-Pulse, assinada por Steve Davies, Oliver Ward, Kim Chipman, Sarah Gonzalez e Noah Wicks, aponta que uma das agências mais afetadas dentro do USDA é o National Institute of Food and Agriculture, cujo orçamento de aproximadamente US$ 1,07 bilhão sofreria um corte de US$ 510 milhões.
Segundo o texto da proposta, o orçamento “reduz significativamente subsídios automáticos que funcionam como destinações pré-determinadas para projetos universitários específicos”. A justificativa é que os recursos passem a ser distribuídos por meio de processos competitivos, priorizando projetos de interesse nacional, em vez de iniciativas classificadas como ideológicas.
Orçamento reflete cortes recentes no quadro de funcionários
Clayton também destacou que a proposta prevê redução no número de servidores em diversas agências do USDA, como a Farm Service Agency (FSA) e o Natural Resources Conservation Service (NRCS).
A FSA contava com 8.135 funcionários no ano fiscal de 2025, número que caiu para 7.320 em 2026. Para 2027, o orçamento prevê 6.009 servidores em tempo integral — uma redução superior a 25% em dois anos.
Já o NRCS registrou queda de 11.542 funcionários em 2025 para 9.241 em 2026, mantendo esse patamar previsto para 2027, o que representa uma redução total de 2.301 postos de trabalho.
Proposta inclui recursos para reorganização do USDA
Apesar dos cortes generalizados, o governo solicita US$ 50 milhões para implementar a reorganização do USDA, prevista para ser concluída até o fim de 2026. A medida é apresentada como forma de aumentar a eficiência e “eliminar camadas burocráticas desnecessárias”. Críticos alertam, no entanto, que a iniciativa pode comprometer a capacidade do departamento de fiscalizar a segurança alimentar e operar programas como crédito rural e seguro agrícola.
Além disso, o orçamento prevê o fortalecimento do Escritório de Segurança Interna e Coordenação de Emergências do USDA, cujo orçamento passaria de US$ 1,7 milhão para US$ 15,3 milhões. O número de funcionários do setor subiria de quatro para 38.
O Agri-Pulse também informou que a administração propõe ampliar os recursos destinados à fiscalização do comércio internacional. O plano prevê um adicional de US$ 110 milhões para a Administração de Comércio Internacional do Departamento de Comércio, sendo US$ 100 milhões destinados à criação de um “Acelerador de Investimentos dos EUA”.
Da Redação do Jornal Campo aberto



