Com o rebanho norte-americano no menor nível em sete décadas e os preços do gado atingindo recordes, a gigante do agronegócio Cargill recorreu à inteligência artificial (IA) para aumentar a eficiência de suas plantas de processamento de carne bovina.
De acordo com o CEO Brian Sikes, a empresa está utilizando um sistema proprietário de câmeras com tecnologia de IA que fornece feedback em tempo real às equipes de produção sobre a quantidade de carne que ainda fica presa aos ossos após o corte. A solução, testada inicialmente na unidade de Friona, no Texas, está sendo expandida para outras plantas da companhia.
“Se conseguirmos melhorar o rendimento da indústria em apenas 1%, isso representa mais de 90 mil toneladas de carne — alimento que vai para a mesa das pessoas em vez de virar resíduo”, afirmou Sikes durante o Borlaug Dialogue, promovido pela World Food Prize Foundation, em Des Moines, Iowa.
Ele explicou que o sistema exibe rostos com cores — verde, amarelo e vermelho — que alertam instantaneamente os funcionários sobre quanto aproveitamento ainda é possível em cada carcaça.
A adoção da tecnologia ocorre em um momento de forte alta dos preços do gado, impulsionada pela escassez de animais, o que elevou o custo da carne ao consumidor e reduziu as margens dos frigoríficos, incluindo Cargill, JBS e Tyson Foods. O tema chamou atenção do presidente Donald Trump, que nesta semana anunciou um plano para incentivar a pecuária doméstica e ampliar a produção nacional de carne bovina. A Casa Branca também estuda importar mais carne da Argentina para conter a alta dos preços.
Além do processamento de carne, a Cargill vem aplicando inteligência artificial em outras áreas, como treinamento de equipes, segurança ocupacional — especialmente em funções de movimentos repetitivos —, transporte marítimo e operações portuárias, onde o sistema ajuda a prever fatores como tempo e umidade.
“Essa é a inovação mais transformadora da minha vida”, afirmou Sikes. “As empresas que abraçarem essa tecnologia terão vantagem. As que não o fizerem, estarão em um cemitério corporativo daqui a dez anos.”
O executivo destacou ainda que a IA não substituirá pessoas, mas sim as capacitará. “Quem for substituído, será por alguém disposto a usar a tecnologia”, disse.
Controlada pelos herdeiros de William Wallace Cargill, a companhia — maior empresa privada dos Estados Unidos — está passando por uma reestruturação que reduziu suas divisões de cinco para três. No trimestre encerrado em 31 de agosto, o lucro líquido da Cargill saltou 86%, impulsionado pela reforma tributária do presidente Donald Trump e pelo bom desempenho de todos os segmentos da empresa, segundo dados obtidos pela Bloomberg.
Fonte: Bloomberg L.P.



