Mesmo com impactos climáticos, safra 2025/26 mantém alta produtividade e reforça avanço do biocombustível feito a partir de grãos
O terceiro levantamento da safra 2025/26 de cana-de-açúcar, divulgado nesta quinta-feira (31) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), indica que o Brasil deve colher 666,4 milhões de toneladas de cana, uma leve redução de 1,6% em relação ao ciclo anterior. Apesar da queda, o país deve alcançar a segunda maior produção da série histórica, com destaque para um novo recorde na fabricação de etanol de milho.
A divulgação foi conduzida por Marco Antônio, gerente substituto de Acompanhamento de Safra da Conab, que destacou o trabalho de mais de 60 técnicos envolvidos na coleta e análise dos dados. O boletim completo já está disponível no site da companhia.
Clima desafia produtividade, mas áreas renovadas garantem estabilidade
Entre os principais fatores que influenciaram o resultado estão as irregularidades climáticas observadas desde o início da safra anterior. Após um período de chuvas acima da média até abril de 2024, a seca e as temperaturas elevadas entre maio e outubro comprometeram o desenvolvimento das lavouras no Centro-Sul — especialmente em São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
A ocorrência de incêndios em áreas produtoras agravou os efeitos sobre o solo e a fisiologia das plantas, reduzindo o potencial de crescimento e de concentração de açúcar nos colmos. Mesmo assim, a renovação de canaviais e o uso de modelos estatísticos de previsão ajudaram a conter as perdas.
De acordo com o levantamento, a produtividade média nacional ficou em 74,2 toneladas por hectare, com 75,8 t/ha no Centro-Sul e 61,4 t/ha no Norte-Nordeste.
Expansão de área e liderança paulista
A área colhida no país cresceu 2,4%, mantendo a tendência de expansão observada nas últimas safras. O aumento ocorre, sobretudo, em áreas que estavam destinadas à pecuária ou grãos e voltaram ao setor sucroenergético.
O estado de São Paulo segue como principal produtor, com 335,3 milhões de toneladas, embora tenha registrado queda de 5,2% na comparação com o ciclo anterior. Na sequência aparecem Goiás (80,4 milhões t) e Minas Gerais (79,6 milhões t).
Açúcar em alta e milho consolida espaço no etanol
A produção de açúcar deve alcançar 45 milhões de toneladas, crescimento de 2% em relação à última safra — a segunda maior já registrada pela Conab. O movimento reflete a estratégia das usinas de direcionar mais cana para o adoçante, favorecida pelas condições de mercado.
Em contrapartida, a produção total de etanol (de cana e de milho) deve cair 2,8%, totalizando 36,16 bilhões de litros. A redução no etanol de cana (-9,5%) é parcialmente compensada pelo avanço expressivo do etanol de milho, que atinge 9,61 bilhões de litros, o maior volume da série histórica.
Hoje, o biocombustível produzido a partir do milho e de outros cereais já representa 26,6% de todo o etanol nacional, consolidando o Centro-Oeste — especialmente Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul — como o novo polo da produção renovável no país.
Perspectiva e próximos passos
A Conab ressalta que a moagem segue em ritmo próximo ao da safra anterior, com 89% da cana processada em São Paulo e 85% em Minas Gerais. No Nordeste, o ciclo avança mais lentamente por conta do prolongamento das chuvas, principalmente em Alagoas, Sergipe e Pernambuco.
Apesar dos desafios climáticos e logísticos, o setor mantém trajetória de estabilidade e modernização, sustentada pelo aumento de produtividade, pela expansão do etanol de milho e pela busca contínua por eficiência energética e sustentabilidade.
O próximo levantamento da safra de grãos 2025/26 será divulgado no dia 13 de novembro, quando a Conab atualizará os dados de soja, milho e outras culturas.
Por Jornal Campo Aberto, com base em informações oficiais da Conab.



