Durante o Congresso da Aviação Agrícola, realizado em Santo Antônio de Leverger (MT), a empresa Synerjet apresentou oficialmente o Pelican Pyka, aeronave autônoma destinada à pulverização agrícola que promete transformar a forma como o setor atua no Brasil.
Mateus Dallacqua, diretor da Synerjet, destacou que, após a fase de vendas aceleradas, o equipamento já entrou em período de entregas. As primeiras unidades chegaram ao país e começam a operar em setembro na região de Cuiabá (MT) e no oeste da Bahia.
“Já não falamos apenas de expectativa, mas de realidade. O Pelican Pyka está voando e mostrando sua eficiência no campo”, afirmou Matheus.
Características técnicas
O Pelican Pyka chama a atenção pelo porte e desempenho. Classificado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como drone, o equipamento reúne características de avião agrícola tradicional.
- Envergadura: 11,5 metros
- Faixa de aplicação: até 22 metros, superior ao previsto em catálogo
- Capacidade: 300 litros
- Autonomia: 45 minutos de voo contínuo, com possibilidade de realizar até 90 hectares por hora
- Operação 24/7: pode voar de dia e de noite, aproveitando as melhores condições atmosféricas
Outro diferencial está no sistema de mapeamento e desvio de obstáculos. A aeronave utiliza sensores a laser que reconhecem árvores, postes e construções, além de permitir a inclusão manual de áreas de restrição pelo operador.
Operação e controle
Apesar da autonomia, o equipamento exige acompanhamento técnico. A programação do voo é feita em software próprio, no qual o operador define o perímetro da área a ser pulverizada e a pista de decolagem. A aeronave realiza decolagem, mapeamento, aplicação e pouso de forma automática, sempre monitorada por um profissional.
“O Pelican Pyka não substitui a responsabilidade do operador. A tecnologia faz o trabalho, mas o controle humano é indispensável para garantir segurança e eficiência”, reforçou Matheus.
Custo e competitividade
Mesmo com os impactos do chamado “Custo Brasil”, a aeronave mantém viabilidade econômica. Segundo a Synerjet, o custo operacional direto é estimado em US$ 1,50 por hectare, podendo chegar a US$ 2,50 em condições menos favoráveis.
“O mercado tem confirmado que, mesmo com impostos e encargos, a relação custo-benefício é extremamente positiva, tornando o equipamento competitivo e sustentável”, explicou o executivo.
Treinamento e segurança
Para garantir a correta utilização, a Synerjet estruturou um programa robusto de treinamento, que inclui:
- Ground School: duas semanas de aulas teóricas em sala
- Curso de aplicação aérea: obrigatório pelo Ministério do Meio Ambiente
- Treinamento prático supervisionado: até três meses de acompanhamento em campo com piloto instrutor
A medida visa assegurar a operação responsável e evitar usos indevidos da tecnologia.
O futuro da aviação agrícola
O Congresso também foi palco para reforçar a importância da regulamentação e da consciência dos operadores. Segundo Matheus, a inovação não elimina a necessidade de cumprir normas da Anac e da Anatel.
“O problema nunca são as ferramentas, mas a consciência de quem as utiliza. Seguindo as regras, todos ganham: produtores, sociedade e meio ambiente”, destacou.
O Pelican Pyka chega ao Brasil após oito anos de desenvolvimento e mais de US$ 80 milhões em investimentos, com testes realizados em diversos países e diferentes condições de relevo, incluindo áreas de cana-de-açúcar em São Paulo e chapadões no Mato Grosso.
Com desempenho técnico superior, baixo custo operacional e possibilidade de voar inclusive à noite, o equipamento surge como uma das principais apostas para o futuro da aviação agrícola no país.
Da Redação do Jornal Campo Aberto – Especial Congresso AVAG 2025



