CERCA VIRTUAL: Com a tecnologia de colares com GPS, os produtores podem definir perímetros de cercas virtuais de forma eletrônica, em conjunto com os colares. Isso permite mover o gado diariamente sem a necessidade de cercas elétricas (polifio).
Veja como uma fazenda implementou colares com GPS para criar cercas virtuais, facilitando o manejo rotacionado e reduzindo a mão de obra.
A pastagem rotacionada é uma prática que tem trazido resultados positivos para muitos produtores — como o aumento do crescimento das pastagens e a melhoria da saúde do solo. No entanto, é uma atividade que demanda bastante trabalho. Avanços tecnológicos recentes, como os colares com GPS para o gado, ajudam a promover a pastagem rotacionada e a reduzir a necessidade de mão de obra.
A família Sanderson, de Clare, Illinois (EUA), adotou recentemente o uso de cercas virtuais com colares GPS em sua fazenda regenerativa, chamada Pasture Grazed. A fazenda é administrada por Dan Sanderson e seus filhos, Rosie Trump e Trent Sanderson.
A Pasture Grazed possui dois grupos de gado — um rebanho de vacas com bezerros e outro de animais em terminação. Atualmente, há 25 vacas, 19 bezerros e 24 animais em engorda. A área total de pastagem é de 160 acres (cerca de 65 hectares), embora apenas 25% seja pastagem permanente. Os outros 75% são áreas cultivadas, utilizadas para pastejo após a colheita, dando tempo para as pastagens se recuperarem.
O uso dos colares GPS está alinhado com o foco da fazenda em agricultura regenerativa. Por exemplo, a demanda por carne da Pasture Grazed é o dobro da sua capacidade de fornecimento, mas o solo da fazenda ainda não consegue sustentar mais animais. O objetivo atual da família é recuperar a saúde do solo com uma rotação eficiente das pastagens usando os colares. A meta de longo prazo é aumentar a capacidade de suporte da área.
“Tudo o que fazemos é voltado para melhorar a saúde do solo”, diz Dan Sanderson. “Precisamos nos concentrar nisso porque, embora a demanda nos peça para produzir mais carne, se eu fizer isso agora, vou prejudicar a saúde do solo.”
Como funcionam os colares com GPS
Para evitar o sobrepastejo, a fazenda adquiriu 25 colares com GPS na primavera passada. O sistema permite mover o rebanho para diferentes áreas da pastagem diariamente, sem a necessidade de cercas físicas. O objetivo é preservar a saúde do solo e reduzir a mão de obra.
Com essa tecnologia, os limites da pastagem podem ser alterados com um simples clique no celular. Com antecedência, a família pode programar as áreas que os animais irão pastejar a cada dia. É possível criar linhas no aplicativo que dividem a pastagem em piquetes para uso por períodos determinados.
Atualmente, considerando o clima e as necessidades do rebanho, o tamanho médio dos piquetes é de meio acre (cerca de 2.000 m²) por dia. Rosie Trump comenta que, nesse meio acre, o ideal é que os animais comam metade da vegetação e pisoteiem a outra metade, contribuindo para a saúde do solo. A família move o gado diariamente e ajusta o tamanho dos piquetes conforme o clima.
Os colares são usados apenas nas vacas, não nos bezerros, que geralmente permanecem próximos às mães. Quando uma vaca se aproxima do limite da cerca virtual, o colar emite um som de alerta. Normalmente, ela recua ao ouvir o aviso. Se continuar e ultrapassar o limite, recebe um leve pulso elétrico.
Caso uma vaca ultrapasse a cerca virtual, um alerta é enviado ao celular de Rosie Trump — isso acontece cerca de uma vez por semana. A fazenda ainda mantém uma cerca física ao redor de toda a área de pastagem.
A movimentação do gado é feita ao meio-dia, considerado o horário ideal para o pastejo.
“Meio-dia é o momento preferencial porque a fotossíntese já está em pleno andamento”, explica Trump. “Os açúcares e nutrientes estão mais concentrados nas folhas, o que significa que cada mordida é mais nutritiva do que seria à meia-noite.”

Equipamento, custo e benefícios
Produzido pela Gallagher Animal Management, o colar eShepherd pesa cerca de 2,7 kg e é recarregado continuamente por painéis solares instalados nas laterais. O preço varia conforme o número de unidades adquiridas. Um conjunto com 25 colares custa cerca de US$ 300 por unidade, com uma taxa mensal de US$ 2 por colar para o serviço de GPS. Segundo Sanderson, o colar tem vida útil de cinco anos, o que representa um custo de aproximadamente 25 centavos por dia, por animal.
Trump afirma que o sistema economiza, no mínimo, uma hora de trabalho por dia, que antes era usada para mover as cercas elétricas (polifio). Ainda assim, Sanderson faz questão de visitar o pasto diariamente. “Mas agora, em vez de realizar tarefas, meu papel é observar cada vaca”, comenta.
A fazenda opera em duas áreas de pastagem permanente, cada uma dividida em seções menores. Isso permite que o rebanho pasteje próximas a cercas vivas e faixas de vegetação, áreas onde seria difícil instalar uma cerca física. As cercas virtuais também facilitam o pastejo de áreas de cultivo após a colheita, aproveitando os resíduos vegetais e promovendo a adubação natural do solo pelo gado.
Apesar de usarem os colares há apenas 90 dias, os resultados já são visíveis.
“Já conseguimos evitar o sobrepastejo com mais eficiência”, afirma Trump, observando que isso dá tempo para a pastagem descansar e se regenerar mais rapidamente. Com a recuperação rápida, o rebanho de vacas e bezerros pode utilizar a mesma área de duas a três vezes durante o verão.
Fotos: Ava Splear
Sobre a autora

Criada na fazenda de grãos da família no norte de Illinois, Ava Splear decidiu seguir uma carreira que unisse sua origem no meio rural com sua paixão por comunicação e contar histórias. Enquanto estudava na Universidade de Illinois, Splear participou ativamente da organização Agricultural Communicators of Tomorrow, atuando como presidente.
Durante sua formação, adquiriu experiência profissional por meio de estágios no DeKalb County Farm Bureau, na John Deere, na Ideal Industries, além do departamento de Marketing e Comunicação da Faculdade de Ciências Agrícolas, do Consumidor e do Meio Ambiente da própria universidade.
Formada em 2024 em Liderança, Educação e Comunicação em Agricultura, Splear retornou ao norte de Illinois para trabalhar na Farm Progress



