Diretor da agência, brigadeiro Luis Ricardo Nascimento, destacou no Congresso da Aviação Agrícola 2025 que segurança depende mais da conduta dos operadores do que da tecnologia
Durante o Congresso da Aviação Agrícola 2025, realizado em Santo Antônio de Leverger (MT), o diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), brigadeiro Luis Ricardo Nascimento, reforçou a necessidade de harmonizar o convívio entre drones e aeronaves agrícolas no espaço aéreo brasileiro. Em entrevista ao Hora da Prosa, o dirigente defendeu que a segurança está menos no equipamento e mais na postura de quem opera.
“Drone voa, está no espaço aéreo. A questão não é o equipamento em si, mas a forma como os operadores seguem as regras e compreendem que o espaço aéreo é compartilhado”, afirmou.
Convivência pacífica e responsabilidade dos operadores
Segundo o brigadeiro, conflitos entre pilotos agrícolas e operadores de drones não decorrem da tecnologia, mas da falta de informação, comunicação e cumprimento das normas. Ele ressaltou que as regras já existem e garantem segurança, cabendo aos profissionais respeitá-las.
“Existe mercado e espaço para todos. Não há motivo para disputa. O essencial é adotar bom senso e consciência situacional”, explicou.
Nascimento comparou a situação atual ao passado da aviação agrícola, quando a responsabilidade por acidentes era atribuída ao avião. “O problema nunca foi o avião, mas sim a forma como era operado”, pontuou.
Multa como último recurso
O diretor da ANAC também esclareceu que a aplicação de multas não é o objetivo da agência, mas um recurso final. Ele destacou que o processo sancionador é demorado e oneroso para todas as partes, sem benefício direto para a ANAC.
“O que queremos é que os operadores cumpram as regras e busquem regularizar suas atividades. Multa não é boa para ninguém — nem para o regulado, nem para a agência”, disse.
Aproximação com o setor
A ANAC, segundo Nascimento, tem investido em iniciativas de aproximação, como o programa de Regulação Responsiva, que entra em vigor em janeiro de 2026. A proposta prevê acordos e termos de ajuste de conduta como alternativas à autuação, reforçando o caráter educativo da fiscalização.
“A ideia é abandonar a cultura do ‘gato e rato’. Queremos estar próximos dos operadores, entender suas dificuldades e construir soluções conjuntas”, afirmou.
Canais de diálogo
O diretor incentivou pilotos, empresas e operadores de drones a utilizarem os canais oficiais de comunicação da agência, como o aplicativo SuperApp ANAC, o portal gov.br/anac, além do sistema Fala BR, para esclarecer dúvidas, registrar sugestões ou denunciar irregularidades.
“ANAC não está para punir, mas para servir ao cidadão e fortalecer a segurança da aviação no país. Operação segura é bom para todos, do campo às cidades”, concluiu Nascimento.
Da Redação do Jornal Campo Aberto – Especial Congresso Aviação Agrícola



