Com 2025 na reta final, governo Trump e Congresso tentam destravar temas urgentes do agronegócio, de biocombustíveis a alívio financeiro para produtores afetados por tarifas.
Com a temporada de festas em andamento e 2025 entrando na reta final, parlamentares e o governo Trump enfrentam uma agenda carregada de pendências no setor agrícola. Entre os temas mais urgentes estão questões de biocombustíveis e medidas de alívio financeiro para produtores prejudicados pelas tarifas.
A Câmara e o Senado retornam às atividades nesta segunda-feira, após o recesso do Dia de Ação de Graças.
A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, afirmou que o anúncio de um novo pacote de apoio aos agricultores é iminente e pode ser divulgado ainda nesta semana. O secretário-adjunto, Stephen Vaden, adiantou que o plano de pagamentos deve levar em conta as recentes mudanças nos mercados de commodities.
Em análise publicada na semana passada, a Federação Americana de Escritórios Agrícolas (AFBF) alertou que cinco das sete principais culturas devem registrar perdas médias maiores neste ano. A entidade destacou que o aumento dos custos de produção e as incertezas nas exportações agravam a pressão econômica sobre os produtores, ampliando a necessidade de assistência adicional.
Críticos de programas anteriores pedem que o governo use as experiências do primeiro mandato de Trump para aprimorar a eficiência e evitar gastos excessivos. Um grupo de organizações sem fins lucrativos enviou carta a Rollins e ao subsecretário de Comércio Exterior e Assuntos Agrícolas, Luke Lindberg, defendendo que qualquer ajuda seja submetida a limites rígidos e forte supervisão.
As entidades — entre elas o R Street Institute, Farm Action e Taxpayers for Common Sense — citaram uma revisão do Escritório de Responsabilidade Governamental (GAO) sobre o Programa de Facilitação de Mercado (2018-2019), que identificou US$ 800 milhões pagos a beneficiários inelegíveis ou em valores incorretos. Outro relatório apontou falhas na metodologia de cálculo dos impactos tarifários pelo USDA.
“O USDA deve adotar medidas prudentes para direcionar a ajuda a quem mais precisa, evitando gastos desnecessários que possam agravar o cenário fiscal”, argumentaram os grupos.
Seguro-saúde também pressiona Congresso
Outro tema central neste mês é a expiração dos subsídios ampliados dos planos do Affordable Care Act (ACA). Os democratas esperam uma votação no Senado ainda em dezembro.
A senadora Amy Klobuchar (D-Minn.) afirmou no programa State of the Union, da CNN, que os republicanos podem sofrer desgaste caso bloqueiem a extensão dos subsídios:
“Se não quiserem fazer nada para reduzir os custos das famílias — das compras ao seguro-saúde — e continuarem a puni-las com tarifas, teremos de vencê-los nas eleições de meio de mandato. Não há outra escolha.”
A Casa Branca teria sugerido uma extensão de dois anos dos subsídios, e Trump admitiu que algum tipo de renovação pode ser necessária — embora ainda não esteja claro se conseguirá o apoio dos republicanos no Congresso.
Soja na China segue no radar
Falta apenas um mês para o prazo de compra de 12 milhões de toneladas de soja norte-americana pela China, e Pequim ainda está longe da meta — possivelmente até 10 milhões de toneladas abaixo, segundo dados de vendas do USDA.
Trump também demonstrou preocupação com o ritmo das compras. Ele disse ter cobrado o presidente Xi Jinping durante uma ligação na segunda-feira, e que Xi concordou em acelerar o processo.
Após a conversa, a Reuters informou que compradores chineses fecharam 10 novos carregamentos, avaliados em US$ 300 milhões.
A embaixada chinesa em Washington declarou que Xi transmitiu a necessidade de ambos os países “avançarem na direção correta, com base em igualdade, respeito e benefício mútuo”.
Rollins reforçou que o grande objetivo, a longo prazo, é reduzir a dependência do mercado chinês:
“Quando nossos agricultores dependem de um único comprador, isso não é saudável para ninguém.”
Comércio norte-americano em discussão
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) realizará, de quarta a sexta-feira, uma extensa sessão de audiências públicas sobre o acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA), como parte do processo preparatório para a revisão prevista para o ano que vem.
O período de consulta pública, encerrado no início do mês, recebeu mais de 1.500 comentários, incluindo contribuições de mais de 100 entidades agrícolas e 90 produtores individuais.
Embora o acordo tenha amplo apoio no setor agropecuário, muitos participantes sugeriram ajustes para modernizar pontos específicos.
Especialistas jurídicos ouvidos pela Agri-Pulse afirmam que ainda é incerto se uma eventual atualização do USMCA precisaria de aprovação do Congresso. Dependendo da profundidade das mudanças, o governo pode ter margem para avançar sem nova votação.
Tradução e adaptação: Redação do Jornal Campo Aberto, com base em Agri-Pulse e agências internacionais.



