Setor ajusta área para reduzir estoques, enquanto mercado interno segue abastecido
O início da colheita de arroz no Brasil ocorre oficialmente entre 24 e 26 de fevereiro, no Rio Grande do Sul, principal produtor nacional do cereal. Em entrevista ao Jornal Campo Aberto, o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Denis Nunes, afirmou que o país mantém produção suficiente para abastecer o mercado interno e ainda gerar excedente exportável, mesmo após ajuste de área nesta safra.
Segundo o dirigente, a redução no plantio foi estratégica para equilibrar estoques acumulados do último ciclo, que vinham pressionando as cotações recebidas pelos produtores.

Estoques elevados comprimiram margens no campo
A safra passada registrou excedente significativo no Mercosul, formando estoques de passagem elevados e derrubando os preços pagos ao produtor. O cenário comprometeu a rentabilidade da atividade, levando o setor a reduzir área como forma de reequilibrar oferta e demanda.
Apesar do ajuste, não há risco de desabastecimento.
Para o consumidor, o reflexo tende a ser de estabilidade.
Para o produtor, o desafio ainda é recuperar margem.
Nunes ressalta que o preço do arroz no varejo representa parcela reduzida do custo da cesta básica e nem sempre reflete o valor recebido na propriedade.
Mercado internacional influencia preços
Embora o arroz não tenha referência global única como soja ou milho, o mercado brasileiro sofre influência de grandes produtores internacionais, especialmente na Ásia e nos Estados Unidos. Safras robustas em países exportadores pressionam as cotações internas.
Além disso, países do Mercosul concentram parte relevante de suas vendas no mercado brasileiro, ampliando a concorrência.
“O excedente de produção influencia diretamente os preços”, destacou o presidente da Federarroz.

Evento evolui de ato político para fórum técnico
A abertura oficial da colheita do arroz e grãos em terras baixas chega à sua 36ª edição. De acordo com Nunes, o evento deixou de ter caráter predominantemente político e passou a atuar como espaço técnico de transferência de conhecimento.
A programação inclui:
- painéis simultâneos
- debates sobre gestão e competitividade
- apresentação de tecnologias
- participação de especialistas nacionais e internacionais
- reunião da Câmara Setorial do Arroz
O encontro será realizado na Estação Experimental da Embrapa, em Capão do Leão (RS).
Produção brasileira atende padrão de consumo
O arroz consumido majoritariamente no Brasil é do tipo longo fino, variedade adaptada ao continente americano e dominante em restaurantes e consumo doméstico.
Mesmo com a diversidade global de tipos — como aromáticos e específicos para risoto — o padrão nacional segue consolidado, sustentando demanda interna consistente.
Aviação agrícola amplia eficiência no manejo
Segundo Nunes, a aviação agrícola é ferramenta relevante no manejo das lavouras irrigadas, especialmente em janelas curtas de aplicação de defensivos. A agilidade operacional reduz perdas e aumenta eficiência em áreas extensas.
Tendência: estabilidade ao consumidor e busca por recuperação no campo
O cenário projetado para o curto prazo indica:
- abastecimento garantido
- estabilidade ao consumidor
- necessidade de recuperação gradual de preços ao produtor
A principal mensagem do setor é clara: o arroz seguirá presente na mesa do brasileiro, enquanto a cadeia trabalha para recompor sustentabilidade econômica.
Serviço:
36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas
Data: 24 a 26 de fevereiro de 2026
Local: Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado
Cidade: Capão do Leão/RS
Especial Jornal Campo Aberto.



