Leite: bonzinho ou vilão

Bruna Souza Colunistas

E segundo a legislação brasileira a denominação de leite por si só nos indica leite proveniente de vaca e quando existe a necessidade de especificação de outra espécie animal deve-se descrever o nome: leite de cabra, leite de búfala, leite de ovelha, leite de égua, assim por diante.

 

Aqui é importante que eu faça a transcrição da legislação para caracterizar o nosso querido leite: “Entende-se por leite, sem outra especificação, o produto oriundo da ordenha completa e ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas” (BRASIL, 2017).

 

Com base nessa definição posso afirmar que leite de coco, leite de amêndoa, leite de castanha, leite de soja e leite de qualquer outra origem vegetal NÃO pode ser considerado leite, concordam?

 

Hoje posso ainda afirmar que o consumo de leite e derivados no Brasil, enfrenta diversos obstáculos, onde o maior deles é a necessidade de convencer a população de que o leite é essencial à saúde, deve e pode ser mais consumido, por tratar-se de um produto composto por água em sua maior proporção, proteínas, carboidratos, lipídios, enzimas, sais e vitaminas, principalmente as do complexo B.

 

A restrição deste rico alimento é somente para indivíduos que apresentem intolerância ao açúcar do leite (lactose) ou alergia à proteína do leite e mesmo nestes casos novas alternativas de leite estão surgindo.

 

No ano de 1918, um bioquímico chamado Elmer McCollum declarou que o consumo de leite havia sido responsável pelo desenvolvimento da nação moderna e dados mais recentes comprovam a afirmação. Hernell e colaboradores no ano de 2016 realizaram ensaios randomizados, duplo cego e controlados, alimentando crianças com uma suplementação de gordura do leite e puderam afirmar que o consumo desta gordura trouxe efeitos positivos para o neurodesenvolvimento das crianças, além de melhora na defesa contra infecções.

 

São vários os mitos envolvidos nesta excelente fonte de proteína de origem animal, porém os estudos técnicos que comprovam os benefícios do consumo de leite e derivados são ainda maiores, então se me perguntarem se na minha casa consumimos manteiga ou margarina, leite de origem vegetal ou leite de origem animal, vocês já sabem a resposta.

 

Bruna Maria Salotti de Souza

 @brunasalottisouza

 

Médica Veterinária

Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade de Marília, exerceu a atividade como Gestora de Garantia da Qualidade, Gestora de Pesquisa e Desenvolvimento de Novos Produtos na DaGranja Agroindustrial, empresa Marfrig Group, além de Gestora de Pesquisa e Desenvolvimento de Novos Produtos no Frigorífico Prieto Ltda.

Mestre em Medicina Veterinária Preventiva

Título obtido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Campus de Jaboticabal, pela defesa de dissertação que avaliou a qualidade microbiológica de queijos Minas Frescal.

Doutora em Engenharia e Ciência de Alimentos

Título obtido na Universidade Estadual Paulista (Unesp/Ibilce) – Campus de São José do Rio Preto, pela defesa de tese que avaliou a ação de bactérias ácidos láticas com potencial probiótico na microbiota intestinal de camundongos Balb/C.

Professora Universitária

Como professora universitária ministra as disciplinas de “Higiene, inspeção e tecnologia de produtos de origem animal” e “Ética e bem estar animal”, além de coordenar o curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP).

Professora de Pós Graduação

Docente no curso de pós graduação lato sensu em Higiene e Inspeção de Produtos de Origem Animal e Vigilância Sanitária e Controle de Qualidade de Alimentos, no Instituto Qualittas de Pós Graduação, além de ser coordenado do núcleo educacional do mesmo Instituto no município de São José do Rio Preto-SP.

Pesquisadora

Desenvolve pesquisas na área de higiene, inspeção e tecnologia de produtos de origem animal, além da área de microbiologia de alimentos.

 

 

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