Não somos reféns.

Colunistas Marcelo Drescher

Quinze dias atrás redigi um texto, aqui publicado, cujo título era “onde foi parar a verdade?”. Alguns leitores, solicitaram, em debate pessoal, maior apreciação em relação ao tema. Assim, acrescento algo mais à reflexão: O termo “pós-verdade’ foi considerado o vocábulo do ano em 2016 e diz respeito às circunstâncias nas quais a objetividade tem menos importância que as crenças pessoais. A expressão vem ganhando espaço nas coberturas políticas, onde a veracidade perde importância na medida em que as pessoas não estão mais sendo convencidas por argumentos racionais, fatos ou evidências. O estabelecimento de posturas, movimentos e afins estão sobrevindo lastreados nas emoções, sentimentos, crenças pessoais e de grupos que possuam similares modos de vida. Um boato ou afirmação falsa recebe asilo e se propaga rapidamente movido pela “visão de mundo” de segmentos sociais que negam a verdade, pois a mentira é mais confortável ou fornece imediata esperança à concretização de sonhos, candidaturas ou vontades.

Pois bem, a “pós-verdade” sempre foi utilizada. As massas manobráveis sempre existiram, tornando corriqueiras, entre políticos, as expressões “o povo é gado” ou “curral eleitoral”. Entendo que não se pode desconsiderar ou menosprezar a capacidade de determinadas pessoas em usar a mentira para inflar preconceitos e radicalizar posicionamentos de forma útil. Porém, atualmente, deve-se acrescentar a essa reconhecida habilidade a notável fluidez e excesso de informação, muito superior à capacidade de qualquer pessoa em avaliar sua relevância e veracidade para formar opinião “de qualidade”. Tal fato, ao invés de resultar no aumento de conhecimento, fomenta um fenômeno conhecido como desinformação que carreia para suas fileiras não somente as pessoas menos abastadas ou de menor conhecimento, como também uma massa de “novos cultos” que se banham nas águas rasas da informação veiculada na internet, julgando-se capazes de responder, de modo esclarecido e conclusivo, a todo e qualquer questionamento.

Não penso que políticos ou demais formas de lideranças mal intencionadas tenham ficado mais astutos, apenas percebo que as massas tornaram-se mais manobráveis. Um grande número de indivíduos sente-se capaz de responder por que as bolas de golfe possuem aqueles furinhos ou como é feita uma salsicha. Todavia, embora pensem ser capazes, não conseguem compreender a diferença entre exatidão e precisão.  O consumo de notícias rápidas, boatos criados em redes sociais ou recados de WhatsApp supre a necessidade destes sujeitos em “saber” tudo o que aconteceu, e cessa por aí. O que importa é a quantidade e a velocidade, em detrimento da qualidade e conteúdo. A informação pela informação, sem aumento do conhecimento.

Porém, antes de nos considerarmos reféns da era da “pós-verdade”, penso que devemos entender para combater. Conhecer para dominar. Dito de outra forma, se a verdade esta sendo manipulada de modo simples e fluente, a fragilidade destas posições também aumenta na medida em que o excesso de informação permite um bombardeio constante por diferentes inverdades, com igual facilidade de propagação. Deste modo, o acreditar nalguma mentira durará até o exato momento que outro engodo, melhor formulado, o substitua.

Não tenho duvidas que políticos e outros tantos contam mentiras e que, em época de eleição e até mesmo fora dela, sempre existe quem acredite. Isto ocorre devido ao fato de que, infelizmente, a verdade hoje não precisa mais ser falsificada, nem tampouco contestada. O que sucede é que tentam nos convencer de que a verdade passou a ter importância secundária. Repito: Entender para combater, conhecer para dominar é a chave dos muitos setores que utilizam os meios onde circula a desinformação para, devida e rapidamente, levar conhecimento útil aos clientes, parceiros, profissionais vinculados e a todo e qualquer interessado.  Dois anos atrás, presenciei uma excelente iniciativa na Argentina. Inúmeros profissionais, ligados à imprensa e outros órgãos formadores de opinião foram levados ao Congresso Internacional de Aviação Agrícola, onde também proferi palestra, para receber toda e qualquer informação que pudesse dirimir dúvida e fosse necessária à formação de conceito sobre a competência do setor em atender às demandas do produtor rural com o menor impacto à saúde humana e meio ambiente. Palestras, mesas redondas e debates foram presenciados e transmitidos ao vivo para todo o País, com resultados excelentes. A esta iniciativa somaram-se outras que tinham por objetivo o esclarecimento de toda a sociedade. O caminho é este! Em verdade, a verdade não morreu. Apenas agoniza num mundo que tentam nos vender como sendo nosso. Não pertencemos a ele e devemos, hoje, empreender esforços para que tantas outras pessoas possam nele habitar e assim como nós, desfrutar do privilégio de saber-se merecedor do crédito por esforços empreendidos em prol do bem estar de todos.

Marcelo Drescher

 

Engenheiro Agrônomo

Formado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, exerceu a atividade de agrônomo prestando assistência técnica a produtores rurais. Elaborou projetos de plantio de soja, milho e arroz na região central do Rio Grande do Sul.

Mestre em Fertilidade dos Solos

Título obtido na Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, através da defesa de tese que avaliou a fertilidade dos solos do estado do Rio Grande do Sul e a demanda de fertilizantes das principais culturas deste estado.

Especialista em Ergonomia

Como especialista em ergonomia, título obtido no Instituto de Administração Hospitalar e Ciências da Saúde, presta assessoria a empresas na avaliação, adequação e segurança de postos de trabalho. Na área da aviação realizou avaliação ergonômica das condições ambientais em cabines de aeronaves agrícolas.

Gestor de Segurança Operacional

Habilitado pela ANAC, elaborou manuais de gestão de segurança operacional e presta assessorias a empresas na detecção, avaliação e minimização de riscos operacionais. Ministra palestras de segurança operacional e gerenciamento de equipes.

Escritor

Articulista de jornais por mais de 17 anos, hoje redige para a revista Ag Air Update (periódico especializado em aviação agrícola).Em 2012 publicou o livro Manual de Piloto Agrícola, contendo todo o conteúdo e informações necessárias à formação de pilotos agrícolas e esclarecimento de qualquer interessado na atividade.

Professor universitario

Como professor universitário, ministrou disciplinas nas áreas de informática, matemática e biologia. Dedicou-se também ao ensino de técnicas de conservação ambiental e manipulação de resíduos em cursos de pós graduação. Visando a divulgação da aviação agrícola, realiza palestras para estudantes de graduação de pós graduação sobre a tecnologia aeroagrícola.

Assessor ambiental

Implantou e coordenou projetos de avaliação de impacto, recuperação, avaliação e gerenciamento ambiental para empresas. Na aviação presta assessoria na minimização e mitigação de riscos e impactos ambientais decorrentes da atividade.

Instrutor teórico

Há mais de 19 anos ministra instruções teóricas nos cursos de formação de pilotos agrícolas. Ainda, na área de aviação agrícola, realiza treinamentos para engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas ou agropecuários, visando a especialização destes profissionais na área aeroagrícola.

Pesquisador

Desenvolveu pesquisas em solos e desenvolvimento de plantas em universidades. Na aviação, procede testes de deposição e análise de desempenho de equipamentos de pulverização e dispersão.

Palestrante

Professor universitário, instrutor teórico e palestrante, profere palestras técnicas, motivacionais e de desenvolvimento de equipes..

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