País produz mais café em cápsula, e importações caem

Agricultores abanam café em Dores do Rio Preto, no Espírito Santo – Mauro Pimentel – 23.nov.17/AFP

Balança do torrado e moído, segmento em que está a categoria, se inverte, diz analista

 

O volume das importações de café torrado e moído, categoria que inclui as cápsulas, caiu 35% nos três primeiros meses deste ano, em relação a igual período de 2017.

As exportações brasileiras também caem, mas em ritmo bem menor: 2% no período.

Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Abic (Associação Brasileira da Indústria do Café), afirma que “o sinal está se invertendo na balança comercial de café torrado e moído”.

Até há pouco tempo o país não tinha sucesso nas exportações de café torrado e moído. “É difícil construir uma marca e competir com os produtos já consolidados em um mercado novo”, afirma o diretor da Abic.

Essa dificuldade está presente inclusive no Brasil, segundo ele. “Qualquer empresa que tenta levar seu produto para outras regiões encontra sérias dificuldades. A construção da marca é demorada, cara, e incerta”, afirma.

A chegada da cápsula ao mercado mundial de café fez o déficit da balança comercial brasileira aumentar muito nos últimos anos. O Brasil importava a cápsula pronta ou mandava o café brasileiro para ser encapsulado na Itália.

As coisas estão mudando, segundo Herszkowicz. Grandes, médias e pequenas empresas passaram a produzir cápsulas no mercado interno, reduzindo as importações brasileiras.

“O país começa, embora em pequena quantidade, a exportar cápsulas para países do Cone Sul”, diz.

As exportações de cápsulas devem ser vistas não com base no volume, mas nas receitas, diz Herszkowicz.

No primeiro trimestre deste ano, dois países merecem destaque nas exportações brasileiras: Venezuela e Itália. Ambos tiveram reduções de 99% nas importações do produto brasileiro.

No caso da Venezuela, a queda ocorre devido à perda de renda da população. No da Itália, o recuo se deve ao processamento maior de café no mercado interno, dispensando o envio do produto para ser encapsulado no país europeu e, em seguida, exportado para o Brasil, segundo o executivo.

Já as importações de café torrado e moído feitas pelo Brasil na Itália diminuíram 83% no primeiro trimestre, em relação a igual período de 2017, segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

No caso da Suíça, principal exportador de café torrado e moído para o Brasil, a queda foi de 17% em volume e de 34% em valores. O preço médio por quilo caiu 21%.

Joia da coroa Executivos ligados ao setor de pecuária e de carne bovina afirmam que a National Beef, empresa cujo controle a Marfrig está adquirindo nos Estados Unidos, é a joia da coroa naquele país.

Rebanho em casa Localizada no estado de Missouri, a empresa está na região que tem o terceiro maior rebanho do país. São 6,3 milhões de cabeças de gado. Os maiores rebanhos estão no Texas, que tem 12,5 milhões, e em Nebraska, que possui 6,6 milhões.

Evolução intensa Os preços dos produtos agropecuários, que tinham subido 0,59% em fevereiro, aumentaram 3,39% em março. Em 12 meses, acumularam queda de 4,8%.

Milho Os dados são do IGP-DI (Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna), da FGV (Fundação Getulio Vargas). A maior pressão veio do milho, que teve reajuste de 17% no mês. A soja, ao registrar aumento de 5%, também pressionou o índice de inflação.

Soja Os primeiros dias de movimentação nos portos brasileiros indicam que as vendas externas de soja em grãos poderão somar 8,5 milhões de toneladas neste mês.

Abaixo Esse volume é inferior aos registrados nos meses de março deste ano e de abril de 2017, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Os preços deste mês, no entanto, superam em 5% os de igual período do ano passado.

 

Vaivém das Commodities

Jornalista Mauro Zafalon assina a coluna Vaivém das Commodities. Escreve sobre commodities e pecuária.

 

 

 

 

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