Que venha 2018!

Confesso que não cultivo o hábito de, ao aproximar-se o final de um ano, realizar o balanço de ações ou conceber que o princípio do novo calendário possa trazer, de forma mágica, uma nova realidade. Porém, não se pode ignorar que o transcurso de 2017, aqui na terra Brasil, merece registro na memória de todos os envolvidos com a aviação agrícola­­­­­, premidos que fomos por muitos reveses. Além das já conhecidas dificuldades para equalizar esforços em busca da sobrevivência em período de crise, sofremos com a perseguição por facções ideológicas e encerramos o ano laureados por ações fiscalizatórias que, sem contestar sua adequação ou necessidade, adicionaram à nossa rotina a necessidade de garimparmos informações e instrumentos legais na busca de informações que nos permita atender solicitações de órgãos que não se comunicam.

Mas, graças aos contratempos estamos empreendendo esforços que vão nos proporcionar saltos de qualidade. Claro, importante frisar que saltar significa tomar decisões e toda decisão, por mais simples que seja, envolve riscos. Porém, nada que uma bem traçada estratégia de ação lastreada em conhecimento, ousadia e boa dose de intuição não resolva. Aliás, importante frisar que tais características, em síntese, separam os empresários de sucesso daqueles que, por realizarem tão somente o trivial, apenas sobrevivem.

O momento é propício: Rompemos a barreira da inação, agrupamos o nosso setor em torno de uma causa, agregamos novas tecnologias às já consagradas e o desenvolvimento técnico é constante.  Some-se a isto o fato de que a evolução industrial e agrícola são complementares e temos a ampliação do cenário favorável. Para lembrar, a agricultura desempenha papel fundamental no desenvolvimento econômico de diversos países, no incremento das finanças, fomento da indústria e relações sociais. A atividade agrícola contribui fornecendo alimento e matéria prima para outros setores da economia, criando demanda para bens produzidos e fomentando um mercado financeiro que, gerando capacidade de poupança e investimento, realimenta a atividade produtiva.

Pois bem, em face de tudo isso, desistir não é a melhor opção. Evoluir nunca foi fácil! Adaptando um pouco a frase de Thomas Edson, “o sucesso é 1% inspiração e 99% sudação”. Então, inspire-se a parta ao trabalho. Em tudo o que presenciei em 2017, nos inúmeros episódios em defesa da aviação agrícola, restou a certeza de que vamos sobreviver. Muitas vezes a indignação brotou na mente, noutras a esperança de que existem pessoas lúcidas e dispostas a manter o que, técnica e tecnologicamente falando, revela-se adequado e eficaz.

Penso que estávamos acostumados a uma posição cativa no mercado que, a bem da verdade, continuará sendo nossa, se lutarmos e provarmos isso. Tenhamos claro que o desenvolvimento organizacional é um processo contínuo e permanente de transformações de uma empresa e sua cultura numa entidade moldável, plástica: Ajustável a um contexto de permanente mudança, econômica, tecnológica e social. Manter a mente e atitude presa ao passado em nada adiantará para o sucesso que desejamos. Sempre afirmo, em minhas palestras, que o caminho do sucesso é sempre “subida acima”. As dificuldades sempre surgirão, em maior ou menor grau, impondo restrições, limites e necessidade de, por vezes, recuar para crescer. Infeliz de quem duvidar que qualquer empresa precisa conviver bem com o mundo de intensas mudanças, jogos de interesse e disputas de poder. Tempos idos aqueles nos quais sobrevivíamos em “redomas”, disjuntos daquela parte do sistema que não apreciávamos. Hoje necessitamos de total inserção: Social, econômica e política. Nossa omissão em qualquer um desses contextos, enquanto indivíduos, empreendedores ou setor cobra e continuará cobrando um pesado valor.

Dois mil e dezessete! Ano pesado para a aviação agrícola brasileira. Todavia, como em tudo na vida, necessitamos sofrer para crescer. Portanto, aproveitemos a oportunidade para buscar uma nova posição no mercado, sem esquecer que ela não será permanente. Os constantes esforços empreendidos nos propiciarão a conquista de novas posições que, daqui a pouco, poderão se revelar ineficazes ou pequenas às nossas intenções. Portanto, parafraseando o poeta Vinicius de Morais, que nossas conquistas não sejam imortais, posto que são transitórias, mas que sejam intensas enquanto durem.

Que venha 2018, com muitas atividades e desafios. Que venha 2018, com inúmeras oportunidades e, fundamentalmente, muitas lutas e recompensas. Um grande abraço a todos.

 

Marcelo Drescher, especial para o Campo Aberto

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