Onde foi parar a verdade?

Quanto mais me envolvo nas discussões travadas frente às tentativas de restrição ou proibição da atividade da aviação agrícola, mais assombrado fico ante a má fé, falta de conhecimento e desonestidade intelectual daqueles que desejam o fim de nossa atividade. Argumentos envolventes, populares e impactantes, porém recheados de falsidades e incoerências lógicas que conduzem a um raciocínio errado, com aparência de verdadeiro, na tentativa de provar eficazmente o que alegam. Formados por políticos e ativistas ideológicos os grupos contrários à nossa atividade utilizam e deixam-se envolver pelos discursos predominantes nestes meios que, em essência, desejam muito mais ganhar a discussão a qualquer custo do que buscar o esclarecimento.

Sugerir, por exemplo, que a aplicação aérea de agrotóxicos tem estrita relação com os impactos negativos que o uso destes produtos poderia ter no ambiente e saúde humana é tentar induzir pessoas à falsa conclusão de que uma coisa se associa com outra. Falta de ética na comunicação! Verdadeiro apelo à ignorância dos interlocutores, na medida em que pressupõe que o desconhecimento de causa levará alguém a aceitar que tal associação seja verdadeira, apenas por conduzir a um resultado aparentemente comum a ambos. Nos discursos, materiais de divulgação ou argumentos que observei, nenhum esforço se faz à prova de que qualquer afirmação seja verdade. Não se menciona qualquer referência científica ou, quando feitas, são vagas e generalistas. Embora, importante afirmar que análises à luz da ciência exijam cuidados, pois o paradigma científico é composto de notórias imprecisões.

 

Assustar, para conquistar. Construir raciocínios distorcidos ou valer-se da ignorância para domar e conduzir, são táticas usuais e rotineiras de grupos que intentam total imposição sobre os demais, inobstante sua perceptível incapacidade para tanto. Tais estratégias atingiram o apogeu nas últimas décadas e, embora seu reconhecimento como táticas imorais, ainda encontram refúgio e empolgam  alguns setores sociais. Escolhidos como bodes expiatórios, enfrentamos um sistemático ataque que, embora equivocado, municiados por argumentos falaciosos conquistam a simpatia de inúmeras pessoas. Simplesmente tentar demover nossos combatentes de suas concepções me parece algo improdutivo, pois estaríamos travando uma guerra direta e intencional com os problemas de valores que sedimentam tais grupos. Assim, enquanto classe e setor econômico, devemos iniciar uma ampla divulgação, junto a legisladores, imprensa, formadores de opinião, membros das diversas esferas executivas e profissionais vinculados ou não à nossa atividade, de tudo o que nos fez chegar ate aqui. Hoje, o desconhecimento dos demais segmentos de nossa sociedade quanto ao que e como praticamos é o nosso maior entrave.

 

Ainda vamos agradecer por estes inconvenientes. Porém, somente o faremos se nos aplicarmos à tarefa de levar esclarecimento a quem possa, nalgum momento, ser mais um esclarecido e coerente crítico da pulverização aérea. Saber que possuímos técnica apurada e tecnologia capaz de realizar a deposição de produtos químicos no local, quantidade, momento e dose certos, é fundamental à postura que assumimos perante nossos detratores. Porém, como dito, restringir nossos esforços à atividade de contra argumentação nos coloca na mesma posição deles, o que, sem dúvidas, não é adequada e condizente com o tamanho e importância da aviação agrícola no Brasil. Sabemos que somos uma excelente opção em tecnologia de pulverização, que possuímos eficazes recursos ao combate de pragas e moléstias, que somos contribuintes ao desenvolvimento da agricultura brasileira e aos constantes acréscimos na produção de alimentos. Assim, sem descuidar das investidas daqueles que têm por hábito esconder a verdade, devemos empreender energia em divulgar para todos, sem desvios e mentiras, o valor de nossa  atividade.

Marcelo Drescher

Sobre o autor:

Engenheiro Agrônomo
Formado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, exerceu a atividade de agrônomo prestando assistência técnica a produtores rurais. Elaborou projetos de plantio de soja, milho e arroz na região central do Rio Grande do Sul.

Mestre em Fertilidade dos Solos
Título obtido na Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, através da defesa de tese que avaliou a fertilidade dos solos do estado do Rio Grande do Sul e a demanda de fertilizantes das principais culturas deste

Especialista em Ergonomia
Como especialista em ergonomia, título obtido no Instituto de Administração Hospitalar e Ciências da Saúde, presta assessoria a empresas na avaliação, adequação e segurança de postos de trabalho. Na área da aviação realizou avaliação ergonômica das condições ambientais em cabines de aeronaves agrícolas

Gestor de Segurança Operacional
Habilitado pela ANAC, elaborou manuais de gestão de segurança operacional e presta assessorias a empresas na detecção, avaliação e minimização de riscos operacionais. Ministra palestras de segurança operacional e gerenciamento de equipes.

Escritor
Articulista de jornais por mais de 17 anos, hoje redige para a revista Ag Air Update (periódico especializado em aviação agrícola).Em 2012 publicou o livro Manual de Piloto Agrícola, contendo todo o conteúdo e informações necessárias à formação de pilotos agrícolas e esclarecimento de qualquer interessado na atividade.

Professor universitario
Como professor universitário, ministrou disciplinas nas áreas de informática, matemática e biologia. Dedicou-se também ao ensino de técnicas de conservação ambiental e manipulação de resíduos em cursos de pós graduação. Visando a divulgação da aviação agrícola, realiza palestras para estudantes de graduação de pós graduação sobre a tecnologia aeroagrícola.

Assessor ambiental
Implantou e coordenou projetos de avaliação de impacto, recuperação, avaliação e gerenciamento ambiental para empresas. Na aviação presta assessoria na minimização e mitigação de riscos e impactos ambientais decorrentes da atividade.

Instrutor teórico
Há mais de 19 anos ministra instruções teóricas nos cursos de formação de pilotos agrícolas. Ainda, na área de aviação agrícola, realiza treinamentos para engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas ou agropecuários, visando a especialização destes profissionais na área aeroagrícola.

Pesquisador
Desenvolveu pesquisas em solos e desenvolvimento de plantas em universidades. Na aviação, procede testes de deposição e análise de desempenho de equipamentos de pulverização e dispersão.

Palestrante
Professor universitário, instrutor teórico e palestrante, profere palestras técnicas, motivacionais e de desenvolvimento de equipes.

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